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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

PUNK ROCK LIVE CONCERT - HANGAR 110 (SÃO PAULO, 12/08/22)

 A "Rato Patrulha" nas "Noites Quentes da Cidade" de "São Paulo" é total "Desequilíbrio". "Peste, Fome, Guerra e Morte" mostram a "Guerra nas Ruas" em "Horário Nobre" resultando numa triste "Realidade" e "Sangue de Crianças". "Na Porta do Inferno" fazemos "Oração" e de "Olhos Perdidos" chegamos à conclusão que "Somos Todos Escravos de um Balde de Lixo" e "Cobaias" nesta "Porra de Vida".

A licença poética acima (ou não) é um mosaico literário com nomes de  algumas músicas que o Invasores de Cérebros mostrou na última sexta-feira, 12, no Hangar 110. Pode servir perfeitamente como um dos muitos discursos que o líder da banda, Ariel Uliana, proferiu ao longo do show que marcou o encerramento do Punk Rock Live Concert.

O evento reuniu quatro bandas com punk na veia e discursos que atiram contra o sistema repressor e, seguindo o manual, "vomitando" no facismo, intolerância e desigualdade social que se acentuaram nestes quase três anos de pandemia e completa incompetência do governo descerebrado e escroto.

Não cheguei a tempo de conferir os dois primeiros grupos, Gatos Feios e Hardcore Por Ódio, e infelizmente não poderei opinar. Mas assisti os shows de O Preço e o já citado Invasores de Cérebros. 

O Hangar, a casa mais punk de São Paulo, estava com público razoável e antes da entrada dO Preço mandou nos telões vídeos de Exploited, Ratos de Porão, Replicantes, entre outros. Circulando pela casa "trombei" com o Criss Crass, brother da Antena Zero que também tava lá conferindo o evento. 

Por volta das 21h50 o quarteto liderado pelo ex-Blind Pigs, Cristian Targa subiu ao palco mostrando unicidade e harmonia. O clichezão "banda orgânica" cai bem na nova banda do Gordo que conduz o vocal e guita base com maestria. Afinal, o cara tá na estrada já há muitos anos e dá conta do recado. Ladeando o vocalista estão Glauco Fornãs (bateria), Tiago Dias (baixo), e Luccas Rodrigues (guita solo/voz) e em pouco mais de 30 minutos mandaram dezesseis porradas. A abertura foi  uma sequência pra não deixar respirar com "Na Batalha", "Sem Ilusão" "Alta Combustão" e "Pé na Farra".

A presença brotheira do Júnior Punkids, do Fibonattis em "Unidos Somos Reis" só reforçou que punk é camaradagem e luta contra os descalabros do sistema desigual. Performance que cumpriu bem a missão de manter o Gordo na ativa, que segundo ele, pensou em desistir da carreira. Mas a rapaziada ao seu lado evidenciou o quanto ele tem uns bons anos de estrada ainda. 

"O show foi bem legal. Esta nova formação funcionou bem no palco. Tocamos um som novo "Resistência é Sobreviver" e os próximos shows serão importantes para gente testar novas músicas", disse Gordo. "Sonhos da Televisão" encerrou o set às 22h20. Como boa banda punk mandou várias porradas no menor tempo possível.  

Não foi preciso esperar muito pelos Invasores de Cérebros e com Ariel à frente já mandou um "nossa parte é o tudo e sempre vou combater os filhos das putas". O vocalista não poupou "elogios" aos facistas, políticos corruptos e sistema opressor e desigual. Criticas ao atual ocupante da cadeira presidencial não faltaram. A política de (falta) de segurança do goveno de São Paulo também foi destaque citando que a intenção de armar a GCM (Guarda Civil Metropolitana) só servirá pra tacar o terror e morte na Cracolândia, eterno problema no Centro da cidade. 

O Invasores de Cérebros é uma das bandas míticas do punk nacional e com quase quarenta anos de estrada evidenciou que o movimento surgido lá no meio da década de 70 ainda é relevante. Se depender do Ariel e sua família novas gerações de punks surgirão. Quase no final do show Ariel chamou o netinho Julian ao palco e juntos mencionaram a Tina, recém falecida, e juntos fizeram uma homenagem à esposa do vocalista. Acompanhados pelos presentes que gritavam "Tina", "Tina", "Tina" atestaram quanto o punk rock norteia a família Uliana. 

Às 23h25 o grupo encerrou o set com "Somos Todos Escravos de Um Balde de Lixo", mandando bem o recado que punk é punk mesmo.

PUNK ROCK LIVE CONCERT - HANGAR 11O, SÃO PAULO, 12/08/22

Set list - O Preço

Na Batalha

Sem Ilusão

Alta Combustão

Pé na Farra

Unidos Somos Reis com Júnior Punkids

Rueiros Avançar

Estupidez Humana

Candidato Imundo

Renegados da Matriz

Resistência e Sobreviver

Total Destruição

Homem Botas

Não Venha Me Julgar

Inconsequência

Enquanto Houver a Esperança

Sonhos da Televisão

Set List - Invasores de Cérebros - Hangar 110, São Paulo, 12/08/22

São Paulo

Realidade

Peste, Fome, Guerra e Morte

Horário Nobre

Na Porta do Inferno

EZLN


Boneco de Tiro ao Alvo

Anti Militar

Rato Patrulha

Sobre Corpos e Mentes

Cobaias

Sangue de Crianças

Oração

Noites Quentes da Cidade

Guerras nas Ruas

I Wanna be Your Dog (The Stooges)

Desequilíbrio

Porra de vida

Somos Todos Escravos de Um Balde de Lixo














quinta-feira, 11 de agosto de 2022

TEATRO EVA WILMA RECEBE TRIBUTO AO CHARLIE BROWN JR.



No próximo dia 20 de agosto o Teatro Eva Wilma, em São Paulo, recebe o show “Dias de Luta, Dias de Glória”. A apresentação única homenageia o Charlie Brown Jr, criado há 30 anos na litorânea Santos. Uma das mais importantes bandas da década de 90 o CBJR arregimentou muitos fãs pelo mix de hardcore, rock, pop e reggae, tendo à frente o vocalista Chorão (1970-2013).  

 

Infelizmente o grupo praticamente encerrou atividades com a morte do vocalista, que trazia na formação clássica os guitarristas Marcão e Thiago Castanho, o baixista Champignon (1978-2013) e o baterista Renato Pelado. A homenagem que acontece no Eva Wilma será mais que especial, pois o cenário reproduzirá fielmente o utilizado no “MTV Acústico”, primeiro disco ao vivo dos santistas. Lançado em 2003 em CD e DVD vendeu mais de 250 mil cópias, ganhando Disco de Platina.  

“Dias de Luta, Dias de Glória” é uma super produção trazendo a direção artística do cantor/produtor/empresário Rodrigo Teaser e uma equipe com mais de 25 pessoas, entre técnicos, figurinistas, maestro e banda.  Empunhando o mic e encarnando o Chorão e todos seus trejeitos e vocais está Júlio César Haze, mais conhecido como o rapper DZ6.   Natural de Santa Catarina, DZ6, diz ser uma grande responsabilidade representar seu ídolo. “O que eu faço é coisa de alma, como uma missão que me foi entregue. Com certeza iremos trazer um espetáculo com muita qualidade, um revival de um show ao vivo do Charlie Brown Jr, fiel às características do Chorão”, afirma DZ6.  No set list não devem faltar “Proibida Pra Mim”, “Zoio de Lula”, “Rubão”, “Só os Loucos Sabem”, “Papo Reto” e “Céu Azul”. Onde quer que esteja, Chorão deve estar aplaudindo os companheiros. 

SERVIÇO 

DIAS DE LUTA, DIAS DE GLÓRIA - UM TRIBUTO A CHARLIE BROWN JR  

Data: 20 de agosto, sábado, às 21h 

Recomendação: Livre 

Duração: 90 min 

Preços: de R$ 40 a R$ 100 reais 

Bilheteria 

-Em dias de evento a bilheteria ficará aberta até o horário de início do espetáculo. 

Ingressos online: https://www.bilheteriaexpress.com.br/ingressos-para-dias-de-luta-dias-de-gloria-tributo-a-charlie-brown-jr-teatro-eva-wilma-sao-paulo-shows.html 

Local: Teatro Eva Wilma – 683 lugares 
 Rua Antônio de Lucena, 146 - Tatuapé

domingo, 1 de maio de 2022

DR. SIN GRAVA ACÚSTICO NO J.SAFR

 Por Nelson SOUZA Lima


Considerado um dos maiores representantes do metal brasileiro, o Dr. Sin sobe ao palco do Teatro J. Safra para gravar seus grandes clássicos em formato acústico. O registro renderá um DVD ainda sem data de lançamento, mas que será aguardao ansiosamente pelos fãs. Com trinta anos de trajetória a banda paulistana traz na atual formação os irmãos Andria (vocal/baixo) e Ivan Busic (bateria/vocal), além do guitarrista Thiago Melo

Ao longo das três últimas décadas o Dr. Sin cravou o nome entre os grandes do metal nacional com músicas extremamente bem trabalhadas em arranjos grandiosos e letras elaboradas. A partir de "Emotional Catastrophe", muito veiculada na MTV o trio paulistano arregimentou fãs e se apresentou nos maiores festivais do mundo. Como não mencionar os shows no Rock In Rio, Monsters of Rock, Live N Louder e M2000

Conferi os caras ao vivo algumas vezes no Centro Cultural São Paulo e garanto que é show de prima. O grupo é norteado pelo profissionalismo

Para ter uma ideia do peso (sem trocadilhos) e importância dos caras basta ver a lista de lendas do rock com quem já dividiram o palco: AC/DC, Bon Jovi, Kiss, Black Sabbath, Dio, Scorpions, Pantera, Ian Gillan e Glenn Hughes. Ou seja, não estão pra brincadeira

Os shows acontecem na sexta-feira (6 de maio) e no sábado (7) no simpático palco do Safra que é perfeito para receber shows acústicos

Claro que num momento tão emblemático não poderiam faltar amigos e convidados especiais. Rafael Bittencourt (Angra), Edu Ardanuy (guitarrista fundador do Dr.Sin) e a cantora Juliana D'Agostini prometem tornar a gravação do DVD ainda mais empolgante

Os shows devem levar o público às lágrimas, pois o trio já está emocionado desde agora. "Já nos ensaios e pré-produção nos tem arrancado arrepios e lágrimas", diz o batera Ivan Busic

Emoção não faltará, pois estamos diante de um dos maiores patrimônios do metal brasuca. Imperdíve

SERVIÇ

DR. SI

Gravação do DVD acústic

Quando: Dia 6 de maio - Sexta-feira - 21h30

Dia 7 de maio - sábado -21

Onde: Teatro J. Safr

Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda - São Paul

Ingressos a partir de R$ 80,0

Inf: (11) 3611-304

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quarta-feira, 2 de março de 2022

RÁDIO TÁXI: HÁ QUATRO DÉCADAS PISANDO FUNDO NO ACELERADOR


por NELSON SOUZA LIMA


O Rádio Táxi entra 2022 pisando mais fundo no acelerador. Em quatro décadas de estrada os caras ouviram "Conversa Fiada" aos montes e comeram muito "Sanduíche de Coração". Encontrar mulheres foi uma constante ao longo dessa trajetória, entre elas a "Ana", "Eva" e até a "Garota Dourada". O novo sucesso da banda também reverência uma mulher. É a "Sarah". Outra música que fala "Dentro do Coração", e naquele "Vai e Vem", discute as "Coisas de Casal". Com esta nova canção o Rádio Táxi faz um "Convite ao Prazer", realmente "Sem Explicação" ou "Nenhuma Censura". Certeza que vão atingir uma "Nova Geração".  Afinal o grupo é formado por "Intocáveis" e vão "Longe".
O abre deste texto, para quem não entendeu, é um mosaico literário com várias canções do Rádio Táxi, uma das bandas paulistanas mais legais surgidas na década de 80. Se partimos da premissa discográfica os caras completam 40 anos de carreira agora em 2022. Embora o hit "Garota Dourada", tema do longa-metragem "Menino do Rio", já rolasse nas rádios desde o ano anterior, consideramos o marco zero do grupo com a chegada do primeiro álbum em 1982. Integrada por ex-membros do Tutti Frutti, banda que acompanhava Rita Lee e também o Secos & Molhados, o Rádio Táxi trazia na formação original Willie De Oliveira (vocal), o genial guitarrista Wander Taffo (1954-2008), Gel Fernandes (bateria) e Lee Marcucci (baixo). Da formação original só permanecem Gel Fernandes e Lee Marcucci sendo  completada por Miltinho Romero (guitarra), Flávio Fernandes (teclados) e Betto Luck (vocal).
Beto Luck assumiu o microfone do grupo no final de 2021, substituindo Fábio Nestares, que foi pro Roupa Nova, com a morte do vocalista Paulinho. "Sarah", composição de Ovelha, rola nas rádios de todo Brasil e plataformas digitais desde 25 de janeiro, um presente para São Paulo e para os fãs da banda que há anos ansiavam uma música inédita. Confere embaixo uma entrevista bem legal com Gel Fernandes, na qual o batera fala dessas quatro décadas, música nova e muita coisa mais.
Combate Rock- Gel, por favor, faz ai uma avaliação desses quarenta anos de Rádio Táxi.
Gel Fernandes - Grande Nelson, ao longo desses 40 anos, tivemos muitas alegria e também muito trabalho rodamos este país de Norte a Sul. Tocamos em grandes eventos,e outros menores, éramos presença constante nos programas de televisão, e capas de revista. Não temos do que reclamar desses 40 anos de estrada.
CR- Ao longo dessas quatro décadas muita coisa mudou no planeta, na música, e claro, no rock e música em geral. Como se manter em evidência, renovar, manter o público e renová-lo?
GF- Creio que o que mudou foi o cenário financeiro, toda mídia hoje, seja ela TV ou Rádio, sobrevive dos escritórios que investem em seus artistas, e infelizmente, só escritórios relacionados com música sertaneja, Funk Brasil e suas vertentes conseguem se sustentar devido as fontes que não cabe a mim falar a respeito. O Rock em si nunca acabou, porém sobrevive nas estradas através de shows presenciais.
CR- Como avalia o cenário rock atual no Brasil e no mundo?
GF- Bandas novas excepcionais foram aparecendo durante muitos anos, mas como respondi na pergunta anterior não têm espaço na grande mídia, mas graças a internet conseguem aparecer e mostrar  seus trabalhos.
CR- Vocês tiveram algumas mudanças na formação ao longo dos anos, mas você e o Lee Marcucci se mantém juntos desde o início da banda. Como é a relação de vocês nesse tempo todo, se bem que já tocavam juntos antes do RT.
GF- NÓs nunca tivemos nenhum receio em trocar alguns integrantes da banda quando foi necessário. No nosso terceiro disco já tínhamos um novo integrante que era o vocalista. Daí para frente qualquer troca não nos assustou. Quanto ao Lee nossa amizade remonta há mais de 40 anos, lógico que nesse tempo todo houve algumas poucas brigas, mas nada que não desse para contornar. Somos amigos e parceiros independente do Rádio Táxi
CR- Beto Luck, novo vocalista, substituiu o Fábio Nestares que foi pro Roupa Nova (que infelizmente perdeu o Paulinho pra Covid-19). Como tá sendo a recepção dos fãs para o o Beto?
GF- O Betto Luck é um músico experiente que já trabalhou com muitos artistas consagrados e tem discos autorais  gravados, isso facilitou bastante pra banda, foi bem aceito pelo público.
CR- "Sarah" é a nova música do RT, primeira inédita em muitos anos. Qual foi última canção composta por vocês antes de "Sarah"? Como essa nova música foi composta? Todos trabalharam nos arranjos? E vêm mais inéditas por ai?
GF- "Sarah" foi uma canção escolhida para esse novo momento pela sua simplicidade e ao mesmo tempo pela riqueza, acreditamos muito nessa canção, antes dela a última canção composta e um um grande sucesso foi "VOCÊ SE ESCONDE" (1986), que fez parte da trilha sonora de " Roda de Fogo", novela da TV Globo. "Sarah" é de autoria de um compositor que não faz parte do Rádio Táxi, todos trabalhamos no arranjo. Temos músicas inéditas sim, em breve  estarão disponíveis em todas as plataformas digitais.
CR- O Rádio Táxi, ao contrário de muitos contemporâneos oitentistas, não tem uma discografia tão extensa. Você já respondeu isso várias vezes. Mas diz ai.
GF- Nós músicos tínhamos mais disposição para a estrada, fomos muito cobrados pelas gravadoras, mas não tínhamos muito tempo para compor e gravar, pois os sucessos eram muitos e muitos shows eram agendados por conta disso, principalmente com o sucesso "EVA".
CR- A estreia do Beto Luck nos vocais foi num show no final de 2021 no Teatro Fernando Torres (Tatuapé). Como será daqui pra frente em termos de shows. A turnê com o Placa Luminosa ainda tem condições de rolar?.
GF- Temos muitos shows marcados, na realidade estão sendo remarcados por conta da situação com a pandemia, temos turnê confirmada com o Roupa Nova, Zé Ramalho além dos nossos próprios shows, temos também um projeto com a cantora Patrícia Marks chamado encontro de gerações, em relação ao Placa Luminosa já havíamos começado antes da pandemia, entretanto foi cancelado por conta do falecimento do líder da banda, o guitarrista/vocalista José Ribamar do Nascimento, o Ribah, em virtude da Covid-19 em outubro de 2021.

terça-feira, 1 de março de 2022

TIME BOMB GIRLS


 TIME BOMB GIRLS

se apresentam no Centro Cultural da Penha  São Paulo - SP

dia 26 de março as 20 horas

Gratis

BANDA MALURIA

 


Dia 6 de Março - 19 horas - Gratis

no Centro Cultural da Penha - São Paulo - SP

sábado, 12 de fevereiro de 2022

INOCENTES NO HANGAR 110



A festa punk continua. Spoiler de showzão à vista. Dando continuidade as comemorações de quarenta anos de estrada os Inocentes sobem ao palco do Hangar 110 neste sábado, 5, prometendo outra apresentação arrasa-quarteirão. Como disse antes, a banda liderada pelo vocalista/guitarrista Clemente Nascimento é satisfação garantida ou sua grana de volta. Afinal, os caras  têm quatro décadas de trajetória, muita bagagem e know how para mostrar punk rock na veia. Ao lado de Nascimento estão Ronaldo Passos (guitarra), Anselmo Monstro (baixo) e Nonô (bateria). Juntos desde 1994 o quarteto adquiriu harmonia orgânica e tarimba para desfilar alguns dos maiores clássicos do punk nacional como “Rotina”, “Ele Disse Não”, “Não Acordem a Cidade”, “As Verdades Doem”, “Rota de Colisão”, e “Pânico em SP”.  O show promete ser alto astral pois é organizado pela própria casa, localizada na região central de São Paulo e point tradicional de gente descolada, em parceria com a Cerveja Bella Beer. Na abertura dos serviços "punkeiros" sobe ao palco o Fogo Cruzado, outro grande nome da cena punk, oriunda dos anos 80 que também chega às quatro décadas de carreira. Formada por Talibã (vocal), Valter Muniz (bateria), Ari Baltazar (guitarra) e Anselmo Monstro também comandando os grooves e baixarias, o FC deve mostrar clássicos de seu repertório, além das novas canções do EP "Abismo Sem Fim", lançado em 2020. No set dos caras devem constar "Olha Camarada", "Poder" e "Beirute Explode". Noite impecável para conferir dois grupos seminais da história do punk paulistano. A casa exige a apresentação do comprovante de vacinação.
SERVIÇO
Inocentes
Abertura: Fogo Cruzado
Dia 5 de março - a partir das 19 horas
Local: Hangar110
Rua Rodolfo Miranda, nº 110 - Bom Retiro - São Paulo
Inf e vendas: www.pixelticket.com.br

 

 por NELSON SOUZA LIMA

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

A CENSURA QUE INSISTE EM NOS RODEAR

 




 
por NELSON SOUZA LIMA

Pegando carona num dos versos de "Tempos Modernos", de Lulu Santos, o título acima se refere ao abominável ato de cercear direitos dos cidadãos e todas as implicações que assolam este país desde tempos imemoriáveis. Segundo o Aurélio, a censura é "embasada em critérios morais ou políticos, para julgar a conveniência de sua liberação à exibição pública, publicação ou divulgação".  

Ao longo de nossa história cercear e ceifar direitos norteou aqueles que estão no poder, para por intermédio, de meios repressivos se perpetuar no poder. Coisa muito presente nos atos do destrambelhado que, por enquanto, ocupa a cadeira presidencial.

Lançado recentemente pela Sonora Editora a obra "Mordaça - Histórias de Música e Censura em Tempos Autoritários" lança luz sobre o tema e como devemos nos atentar para que não ocorra de forma mais acirrada. Os autores João Pimentel e Zé McGill foram fundo na pesquisa apurando que o ato de censurar sempre esteve presente de forma mais leve ou extremamente violenta e opressora. De acordo com os jornalistas o pior período para artistas e cidadãos em nosso país rolou durante o famigerado Ato Institucional Nº 5 (AI-5) decretado em 13 de dezembro de 1968 o qual muitos incautos insistem na volta.

De acordo com McGill, a ideia surgiu em 2018 para lembrar os 50 anos do AI-5.

"Fomos procurados pelo nosso editor, o Michel Jamel, da Sonora, com a proposta de fazer um livro sobre os 50 anos do AI-5, em 2018. Eu e o João Pimentel não nos conhecíamos antes desse trabalho, fomos “juntados” pelo editor. E hoje posso dizer que não consigo pensar num parceiro melhor que ele para essa luta do "Mordaça". O tempo era curto para realizar o livro na data pretendida, mas o obscurantismo do governo atual tornou o trabalho ainda mais necessário", diz.

Todas as manifestações artísticas sofriam com a ação policialesca dos censores, mas a música foi o alvo principal da repressão. "Mordaça" traz 29 relatos, sobretudo compositores, mas há também o depoimento de João Carlos Muller, advogado de gravadoras e artistas que soube muito bem burlar a falta de inteligência dos censores e, assim, conseguir a liberação de várias canções. Muller, infelizmente falecido em 2021, vítima da Covid é reverenciado no livro.

Zé McGill enaltece o trabalho de Muller e toda sua luta contra a censura.

"É um personagem fundamental da história de música e censura no Brasil. Ele era o advogado da gravadora Polygram, que tinha o maior número de estrelas da MPB naquele tempo, e ia pessoalmente até a sede da Censura discutir e tentar a liberação das letras vetadas junto aos censores. Se não fosse pelo trabalho dele, provavelmente não teríamos conhecido muitos dos clássicos da nossa música, especialmente alguns do Chico Buarque. Escolhemos abrir o livro com um capítulo sobre a história do João Carlos Muller porque ele nos oferece um panorama geral de como funcionava a Censura e os seus bastidores, além de ele nos contar histórias hilárias, como aquela em que ele acompanha um coronel ao dentista", atesta.

"Mordaça" é um livro mais que necessário para entendermos o momento funesto que vivemos e não permitirmos a volta da censura nunca mais. Por mais que ela insista em nos rodear

Abaixo a entrevista completa com João Pimentel e Zé McGill


Combate Rock - A partir de que momento você e o Pimentel tiveram a ideia de escrever a obra? E como ela se conecta com o atual momento que vivemos?

João Pimentel/Zé McGill - Fomos procurados pelo nosso editor, o Michel Jamel, da Sonora, com a proposta de fazer um livro sobre os 50 anos do AI-5, em 2018. Eu e o João Pimentel não nos conhecíamos antes desse trabalho, fomos “juntados” pelo editor. E hoje posso dizer que não consigo pensar num parceiro melhor que ele para essa luta do Mordaça. O tempo era curto para realizar o livro na data pretendida, mas o obscurantismo do governo atual tornou o trabalho ainda mais necessário. E ele acabou se tornando mais amplo, e focando mais na censura, quando vimos que não daria tempo de entregar a obra no prazo de 2018. Diria que o livro saiu na hora certa, neste cenário macabro da pandemia, mas com a sociedade se mobilizando para reverter esse quadro político sombrio. As conexões entre o livro e o atual momento são muitas, mas especialmente o fato de termos voltado a ver casos de censura surgindo atualmente, como nos anos da ditadura militar.
CR- O trabalho de pesquisa de vocês foi minucioso, pois foram nos primórdios da história do Brasil. Cerceamento de direitos, censura, manipulação e violência sempre estiveram presentes. Tudo isso serviu pra criar no brasileiro esse clima de hostilidade permanente. Ou pra vocês isso tá enraizado na gente e não tem como mudar?

JP/ZM- Há outras coisas que serviram para criar esse clima de hostilidade, como o mau trabalho da grande mídia na época do golpe de 2016. O que fez o Jornal Nacional, por exemplo, aquela campanha/teatro contra o PT, foi uma covardia e acabou contribuindo para gerar o monstro que temos hoje na presidência. Mas, por outro lado, acho que o conservadorismo, o ódio de classes e o costume das proibições estão sim enraizados na nossa sociedade há séculos, o que é triste, e duro de se reverter.

CR- Entre tantos relatos impressionantes, o que mais chamou atenção de vocês? Havia uma série de fatores para que os censores liberassem ou não uma música. Sem contar a falta de inteligência de muitos censores.

JP/ZM- Primeiro, me chamou a atenção a receptividade dos entrevistados. Desde Chico e Caetano até Clemente e Ricardo Vilas, todos foram muito receptivos. Inclusive, fiquei com a impressão de que muitos deles estavam com as histórias de censura entaladas na garganta, apenas esperando que alguém os perguntasse sobre o assunto. Acredito que o fato de estarmos vivendo novamente sob um governo autoritário tenha contribuído para estimular os artistas. Me chamou a atenção também a capacidade de resistência desses artistas (na verdade, o que vemos no livro são aulas de resistência) e o baixo nível intelectual dos censores. Mas acabamos percebendo, depois de tanto trabalho e pesquisa, que uma das bases da censura é a hipocrisia. A maioria dos vetos, quando não por motivos estritamente políticos,  é revestida dos mais distintos níveis de hipocrisia. A censura no Brasil sempre foi altamente racista e homofóbica, mas a defesa da “moral” e dos “bons costumes”, da “família brasileira”, aparece o tempo todo no livro.

CR- Falando em censores, vocês tentaram contatar algum deles? Principalmente a mitológica Solange Hernandes (homenageada por Léo Jaime), que após deixar o cargo mudou de nome pra buscar anonimato.

JP/ZM- Sim, tentamos entrevistar alguns censores através de contatos que conseguimos de colegas jornalistas. Mas, na maioria dos casos, não conseguimos entrar em contato ou descobrimos que a pessoa já estava morta, como no caso da Dona Solange, que morreu em 2013, meio escondida numa casa de muros altos, em Ribeirão Preto. Acho que o que naquela época era orgulho por ter um cargo considerado nobre por muitos, e bem pago, com o tempo se transformou em vergonha, e os antigos censores que ainda estão vivos não querem falar sobre o assunto.

CR- Vendo alguns comentários nas redes sociais é claro que "Mordaça" não agradou a todos. Alguns haters dizem que a maioria dos relatos é de comunistas que se beneficiavam das Leis de Incentivo nos governos petistas. O que acha disso?

JP/ZM- Nós já esperávamos por isso. E nos preparamos espiritualmente para isso, também. Vivemos um tempo de muito ódio e muita burrice. Parece que as pessoas não sabem ou têm preguiça de pensar. No meu caso, faço a opção de não responder a estes eventuais ataques. Até porque, como é possível discutir com pessoas que ainda defendem o presidente depois de ele se dizer favorável à tortura, depois de destruir a economia do país, depois de causar um genocídio durante a pandemia? Como discutir com negacionistas, terraplanistas e outros istas? Como discutir com pessoas que são contra o pensamento? Difícil. E, honestamente, os artistas que entrevistamos são muito maiores do que qualquer Lei de Incentivo...

CR- "Mordaça" tem recebido muitos elogios pela sua importância em relatar um período muito negativo da história do Brasil. Muitos pedem a volta do AI-5 (Ato Institucional N° 5, decretado em 13 de dezembro de 1968). Será que essas pessoas têm noção do que foi o AI-5?

JP/ZM- O pior é que acho que algumas dessas pessoas têm sim noção do que foi o AI-5. Mas a maioria, talvez não. São pessoas conservadoras e reacionárias, no sentido de reação contra os direitos individuais conquistados nos últimos anos. Isso é parte do velho ódio de classes do Brasil, mas também passa muito pela falta de educação, cultura e de pensamento mesmo. E é claro que o nosso livro tem um foco maior sobre o período do regime militar, mas nós deixamos claro, desde o subtítulo do livro (Histórias de Música e Censura em Tempos Autoritários) que não tratamos apenas desse período no Mordaça. Falamos sobre antes, durante e depois da ditadura, até porque os entrevistados acabavam naturalmente falando sobre os pantanosos anos Bolsonaro em nossas conversas, e sobre os vários casos de censura que têm acontecido nos últimos anos.

CR- E a Censura não aliviava o lado de ninguém, Até cantores ditos bregas e, aparentemente inofensivos para o Regime Militar, também sofreram com os censores. Vide as referências que você faz ao "Eu Não Sou Cachorro, Não", do Paulo César Araújo.

JP/ZM- É verdade. Apesar de ser sempre hipócrita, moralista, racista e homofóbica, a Censura não fazia distinção de gêneros musicais. Tanto que temos casos, no livro, de artistas censurados do samba, da mpb, do pop, do rock, do punk rock, da música romântica etc. O livro do PC Araújo foi uma referência importante para nós, e, muito por conta dele, fiz questão de entrevistar o Odair José, de quem adoro as músicas e com quem adorei conversar. Ele bate muito nessa tecla da hipocrisia da sociedade brasileira, com toda a razão. É um dos capítulos de que eu mais gosto.

CR- O que esperam do cenário político este ano. A disputa eleitoral promete ser feroz

JP/ZM- Este promete ser mais um ano turbulento, infelizmente. Por conta das eleições, podemos esperar muita agressividade, fake news e todo tipo de reação do lado que, esperamos, será derrotado. E nós e o Mordaça estaremos nessa luta. Esperamos que o livro ajude a combater possíveis esquecimentos, tão comuns no nosso país de “memória curta”.

CR- Os artistas tiveram um papel fundamental no combate à Ditadura Militar. Porém, João Carlos Muller merece todas as honrarias. Comentem um pouco sobre ele

JP/ZM- O João Carlos Muller, que infelizmente morreu, vítima da Covid, em 2021, e a quem o livro também é dedicado, é um personagem fundamental da história de música e censura no Brasil. Ele era o advogado da gravadora Polygram, que tinha o maior número de estrelas da MPB naquele tempo, e ia pessoalmente até a sede da Censura discutir e tentar a liberação das letras vetadas junto aos censores. Se não fosse pelo trabalho dele, provavelmente não teríamos conhecido muitos dos clássicos da nossa música, especialmente alguns do Chico Buarque. Escolhemos abrir o livro com um capítulo sobre a história do João Carlos Muller porque ele nos oferece um panorama geral de como funcionava a Censura e os seus bastidores, além de ele nos contar histórias hilárias, como aquela em que ele acompanha um coronel ao dentista..

CR- Por fim e direto. O Brasil tem jeito?

JP/ZM- A longo prazo, não sei. A curto prazo, acredito que temos um jeito de melhorar. E esse jeito é a eleição de Lula, ainda no primeiro turno, nas eleições de outubro. Não acho que o Lula seja santo ou herói, mas penso que ele é o maior presidente da história do Brasil, e ele está aí, cheio de disposição para tentar reconstruir o país. Acho mesmo que as pessoas que se dizem progressistas no Brasil têm o dever de dar o seu voto ao Lula em outubro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

INOCENTES - STUDIO SP (SÃO PAULO, 17/12/2021)

 HOJE  ESPECIALMENTE PRA VOCES...

 














 

by

NELSON SOUZA LIMA

INOCENTES - STUDIO SP (SÃO PAULO, 17/12/2021)
Banda mantém a veia e atitude antifascista
Como já disse outras vezes, têm bandas cujo show é certeza de diversão e adrenalina máxima. Os Inocentes está entre elas. Aproveitando a flexibilização nesses últimos dias de 2021 para celebrar 40 anos de estrada, os caras fizeram um show matador no Studio SP, na última sexta-feira, 17 de dezembro.
A noite foi de comemoração dupla, uma vez que a casa do Baixo Augusta, região central da cidade, está voltando às atividades após sete anos de hiato. Então, no clima de festa punk, se me permitem a brincadeira, o público conferiu um setlist irrepreensível da trupe liderada pelo vocalista/guitarrista Clemente Nascimento.
Os protocolos foram seguidos: uso de máscara (embora lá dentro poucos usavam), medição de temperatura, álcool gel e distanciamento zero. Mas é o que tem pra hoje.
Ladeando Nascimento estão Ronaldo Passos (guitarra/vocal), Anselmo Monstro (baixo/vocal) e Nonô (bateria). Uma formação sólida, que junta há 26 anos, funciona tipo máquina sonora bem azeitada, não deixando brechas entre as músicas, como manda o manual punk.
O quarteto sabe o que faz, afinal eles escreveram o manual, sendo a gênese do gênero no Brasil. Não são poucos os que se inspiraram nos Inocentes ao longo dessas quatro décadas.
Clemente e os parças integram a excelente safra que revelou grupos extraordinários como Plebe Rude, Ratos de Porão, e tantos outros.
Uma safra de respeito e, continuando nessa analogia/enologia, os Inocentes são como vinho seco, de sabor ácido que rasga a garganta, garantindo torpor, satisfação e sensação de bem estar.
A dor de cabeça desse vinho sonoro fica para os incautos que não enxergam o quanto as letras são contestatórias, antifascistas, escancarando mazelas, violência, feridas sociais, derrubando os muros da intolerância do sistema opressor/repressor
E a julgar pelo atual momento sombrio as canções do quarteto se tornam ainda mais necessárias na compreensão deste cenário.
Das primeiras frases de "Não é Permitido", do disco "Garotos do Subúrbio", de 1985, até "Não acordem a Cidade", do mesmo álbum, que fechou o set, foram descarregadas doses generosas de punk, atitude e discursos contrários ao caos social.
Nem foi preciso gritar palavras de ordem contra a excrescência presidencial. As músicas falam por si. Cada vez mais adequadas à instabilidade política contemporânea.
O Studio SP não é grande. O palco é baixinho o que permite à banda tocar, literalmente, na cara da plateia. À medida que a hora do show se aproximava o público aumentou, praticamente lotando a casa. Trombei até o Alexandre Machado, da banda Acidental, que tava lá conferindo a apresentação. Como falei o espaço não é grande, mas deu pros fãs, entre mais antigos e novos, agitar daquele jeito que só o punk permite.
Começou com meia hora de atraso e pontualmente às 22h30 Anselmo Monstro subiu primeiro e deu início aos acordes da já citada "Não é Permitido". Clemente, Passos e Nonô subiram em seguida para a avalanche sonora que trouxe alguns dos hinos mais importantes dos caras.
Essa é uma banda que tem história pra contar. Surgida na Vila Carolina, zona norte da cidade, tocou em vários buracos da periferia até chegar ao patamar dos grandes do rock nacional.
Clemente agradeceu a presença do público e apoio aos "senhores maduros" que fariam a festa por uma hora e meia.
Diferente de apresentações de anos atrás, não tinha nenhum moicano. Ao contrário muitos dos presentes se tornaram carecas com o tempo. Não no sentido ideológico, mas capilarmente falando.
Entre eles, Ariel Uliana Jr., outra entidade do punk nacional, que integrou a primeira formação dos Inocentes e que segue na carreira. Com uma calva, de dar inveja ao Professor Xavier, dos X-Men, Uliana mandou "Restos de Nada" e "Desequilíbrio", numa celebração que integrou ainda mais banda e fãs.
Ao tocarem "Intolerância", do álbum "Ruas", de 1996, Clemente analisou o cenário da época em que a violência campeava entre os grupos Carecas e Punks, traçando um panorama atual que não é nada animador.
Praticamente todos os clássicos foram tocados num set de vinte e quatro canções. "Ele Disse Não", "Miséria e Fome", "Salvem El Salvador", "Medo de Morrer", "Rotina", "Aprendi a Odiar", "Pátria Amada", "Pânico em SP", enfim um set de responsa, de uma banda com pedigree.
No final o quarteto ainda mandou dois covers: "Blitzkrieg Bop", do Ramones" e "I Fought The Law", que já teve dezenas de regravações, sendo a mais conhecida com o The Clash. Para estas duas Ariel subiu novamente ao palco pra encerrar a apresentação faltando Two Minutes to Midnight, literalmente.
Ai,  a galera foi pro abraço, pra muitas fotos e selfies com a banda.
THE END.

SETLIST - INOCENTES - STUDIO SP - 17/12/2021
1- NÃO É PERMITIDO
2- ROTINA
3- EXPRESSO DO ORIENTE
4- NADA DE NOVO NO FRONT
5- APRENDI A ODIAR
6- ELE DISSE NÃO
7- VERMES
8- SALVEM EL SALVADOR
9- MEDO DE MORRER
10- 4 SEGUNDOS
11- ESCOMBROS
12- SÃO PAULO (COVER DO 365)
13- GAROTOS DO SUBÚRBIO
14- MISÉRIA E FOME
15- INTOLERÂNCIA
16- DE BAR EM BAR NEM TUDO VOLTA
17- RESTOS DE NADA COM ARIEL ULIANDA JR.
18- DESEQUILÍBRIO COM ARIEL ULIANDA JR
19- OS DONOS DA RUA
20 - FRANZINO COSTELA
21- CALA A BOCA
22- PÁTRIA AMADA
23- PÂNICO EM SP
24- NÃO ACORDEM A CIDADE
ENCORE
BLITZKRIEG BOP - COVER DOS RAMONES
I FOUGHT THE LAW - COVER DO THE CLASH









terça-feira, 23 de novembro de 2021

Plebe Rude não deixou ninguém esperando - estréia de novo colaborador NELSON SOUZA LIMA

 

Plebe Rude no Carioca Club (FOTO: NELSON SOUZA LIMA)

Nelson Souza Lima – especial para o Combate Rock

Sabe quando você precisa se beliscar pra ter certeza que não tá dormindo? Rolou comigo lá no Carioca Club no show da Plebe Rude. Me belisquei com vontade. Após mais de dois anos sem ir à casa da zona oeste, lá estava eu agitando ao som de uma das melhores bandas da safra 1981.

O quarteto brasiliense está em turnê comemorativa de quarenta anos e, apesar do coronovírus ainda circular por ai, não dá pra deixar a data passar batido. É o rock against the death.

Aliás a questão da Covid-19 e os protocolos de saúde continuam a gerar discussões acaloradas. Para muitos as flexibilizações são precipitadas e, ao vermos novos picos da doença na Europa,  é necessário atenção para que não volte a aumentar em nosso país no futuro.

Lá dentro nem todos usavam máscara e como insistem os infectologistas a consciência individual garantiria uma segurança coletiva. Porém isso não acontece e jogar a culpa nas costas do poder público pela falta de fiscalização é injusto.

Não estou defendendo o governo, é apenas uma constatação. Numa cidade gigante como São Paulo é impossível fiscalizar tudo. É assunto que dá pano pra manga. Mas o que importa é o rock  e isso tanto Plebe, quanto o Vespas Mandarinas, que fez o “esquenta”, mandaram bem.

O Carioca recebeu um bom público  que não se decepcionou com dois shows bem legais.Como sempre, cheguei cedo pra conferir os detalhes e matar saudades do Carioca. Fui bem recebido pelo Noel, assessor da Plebe, que me deu as dicas pra pegar a credencial. Valeu, Noel. Você é o cara.

Por volta das 20h07 já estava dentro da casa com aquele burburinho da galera que ia chegando aos poucos. Fui dar uma circulada, checar a lojinha das bandas e tomar uma água pra matar a sede. Dando o clima oitentista som mecânico com praticamente todas as bandas da época: Engenheiros do Hawaii, Biquini Cavadão, Paralamas, Titãs, Barão Vermelho, Cazuza, entre outros.

O público aumentou consideravelmente, mas nada de lotação máxima, como disse acima foi bom.  Mesmo com as cortinas fechadas dava pra conferir o corre dos roadies para acertar os últimos detalhes pro Vespas. Pontualmente às 20h30 a banda liderada pelo vocalista/baixista Thadeu Meneghini saudou a galera emendando “Cobra de Vidro”, “O Vício e o Verso” e “Antes que você conte até dez”.

Uma sequência bem legal do grupo paulistano que ao longo de mais de dez anos de estrada passou por várias mudanças e hoje é um power trio de responsa. Além de Meneghini integram o Vespas o incansável Bart Silva (Baleia Mutante/O Surto/Astronautas) na batera e o guitarrista Sobera.

Clichêzão, mas o trio tá bem orgânico, não deixando brechas ou falhas nas músicas e cumpriu bem o papel de “esquentar” a galera. Apesar do set curto, com apenas oito músicas, o trio mandou bem, afinal falamos de uma banda que tem know how de quem já participou de festivais importantes como o Lollapalooza.

Um dos momentos mais legais do show rolou com  “Amor nos Tempos do Cólera”, homenagem ao Rédson, líder da banda punk Cólera, morto em 2011. Na sequência chamaram ao palco o Wendell,  ex-companheiro de banda do Rédson, que mandou bem nos vocais de “Um Homem Sem Qualidades”.

Às 21h05 o grupo encerrou o set com “O Inimigo” com aquela tradicional distribuição de palhetas. Nem vi se o Bart jogou baquetas pra galera. Um esquenta bacanudo.  Em conversa com o Thadeu perguntei da importância da Plebe.

“É influência sim no som das Vespas. É banda da fase de ouro do rock nacional. Eu tenho muito apreço pelos quatro primeiros discos, que ouvi muito. Aliás, eu vendi os meus vinis. Curiosamente o único disco que ficou comigo é um LP single Mix da canção “Este Anos”. O Renato Russo tinha a capa desse mesmo emoldurada na parede de seu quarto”, disse.

Com a saída dos insetos furiosos ficou a expectativa da apresentação dos brasilienses. E volta o som mecânico com mais oitentistas: Lobão, Marina, Titãs, Capital, enfim.Não foi preciso esperar muito.

Às 21h45 as cortinas abrem e o quarteto formado por Philippe Seabra (guitarra/voz), André X (baixo), Clemente Nascimento (voz/guitarra) e Marcelo Capucci (bateria) foi ovacionado aos gritos de “Olê, Olê, Olê, Plebe, Plebe”.

Parece que tiveram um probleminha técnico pois demorou um pouco pro rock rolar. Mas quando rolou não ficou pedra sobre pedra. Mandaram de cara “Evolução”, trampo novo, “Brasília, “Johnny Vai à Guerra” e “Dias de Luta”.

Não pouparam os clássicos, afinal falamos de um grupo com quatro décadas e muitas histórias.Clemente, líder dos Inocentes, integra a Plebe desde 2004 e a interação entre eles é evidente.  

A brodagem dos caras é das antigas. Philippe contou que quando a Plebe veia a São Paulo pela primeira vez em 1983 foram recepcionados pelo Clemente. Ao que o Inocente rebateu dizendo que se arrependia até hoje. Risos gerais. E tome rock.

Equilibraram bem o set. Numa sequência bem legal com letras fortes e conscientes, como é de praxe nas músicas da Plebe mandaram “68”, “Censura”, “Sexo e Karatê”, “Medo” e “Minha Renda”.

Alternando os vocais com Clemente, Philippe Seabra disse estar impressionado com a atemporalidade das letras da banda e que devemos aprender com os erros. Dando uma direta para nos mobilizar e tirar a excrescência que ocupa a cadeira presidencial.

André X, membro fundador da banda, contou uma história bem louca quando nos anos 80 receberam a visita de um funcionário do INSS de que os caras teriam que pagar a previdência para uma futura aposentadoria. Eles mandaram o cara tomar no digníssimo. Mais risos.Uma apresentação alto astral e não seria diferente. Afinal tava todo mundo ávido por rock. Harmonia total: público/banda.

Outra legal foi a versão para “Baba O’Rilley”, do The Who, sucedida pela clássica “Até Quando Esperar” e “Mais Raiva do Que Medo”, que encerrou o set.

Aquele docinho de sair, ficar um pouco fora do palco e voltar pro encore sensacional com “Pressão Social” e o crossover de “Proteção/Pátria Amada”, canções emblemáticas que se completam. Plebe Rude e Inocentes são simbióticas.

Às 23h36 os caras deixam o palco com a galera urrando.

SET LIST VESPAS MANDARINAS

1-Cobra de Vidro

2-O Vício e o Verso

3-Antes que vc conte até

4-Na hora em que eu me perder

5-Amor em tempos de Cólera

6-Um Homem Sem Qualidades

7- Não sei o que fazer comigo

8- O inimigo

SET LIST PLEBE RUDE

INTRO

EVOLUÇÃO

BRASÍLIA

JOHNNY VAI À GUERRA

ANOS DE LUTA

LUZES

A SERRA

AMÉRICA

BRAVO MUNDO NOVO

O QUE SE FAZESTE ANO

A MESMA MENSAGEM

A IDA

68

CENSURA

SEXO E KARATÊ

MEDO

MINHA RENDA

BABA O’RILLEY (THE WHO)

ATÉ QUANDO ESPERAR

MAIS RAIVA DO QUE MEDO

REPRESSÃO SOCIAL

PROTEÇÃO/PÁTRIA AMADA (INOCENTES)