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terça-feira, 13 de julho de 2021

DIA INTERNACIONAL DO ROCK: O QUE LER, O QUE VER E O QUE OUVIR

 POR SHARON SEVILHA        

       Embora este texto esteja sendo escrito hoje, no Dia Internacional do Rock , provavelmente só será publicado amanhã, mas não faz mal, pois aqui, todo dia é dia rock.


O intuito do texto é dar algumas dicas supracitadas no título. Vamos lá?

O QUE LER?

Vou citar uma biografia não autorizada porque são as melhores, uma biografia que foi autorizada e recolhida e mais um livro que achei muito interessante.

A biografia não autorizada é a do Mick Jagger. Muito já se falou e se escreveu sobre as artes que o vocalista aprontou, mas o melhor livro é JAGGER - NÃO AUTORIZADO. É um livro antigo, de 1993, mas facilmente encontrado no site da ESTANTE VIRTUAL por um preço justo e entrega garantida. 

Este livro vai te falar sobre os amores e desamores de Jagger, vai te fazer questionar a morte de Brian Jones e vai, inclusive, em algumas partes, fazer você ficar puto(a) com o jeito que ele conduziu sua carreira até os Stones serem o que são.

A biografia recolhida é  A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA, dos Titãs. Muitas histórias de bastidores, como por exemplo, a que eles contam que para se apresentar no Programa do Chacrinha, eles eram obrigados a fazzerem shows nos lugares mais bizarros do Rio de Janeiro e mal dava tempo de se locomoverem de um local para o outro. Como, na época, eles eram em oito, a solução encontrada pela banda foi a de ir quatro para cada canto. E por que foi recolhida? Porque a família do Marcelo Frommer, atropelado e morto por um motoqueiro que fugiu, no dia 11 de junho de 2001, achou que o livro "manchava" sua história. Ora! Todo mundo sabe que não havia nenhum santo nos Titãs. Há inclusive, a passagem da prisão de Arnaldo Antunes portando heroína. Qual o problema? Só o clã Frommer sabe responder. Como o livro foi recolhido, não sei indicar onde comprar. Talvez na mesma Estante Virtual supracitada.

O terceiro livro é delicioso! ROCK IN RIO, de Luiz Felipe Carneiro. Conta toda a história dos primórdios do Rock in Rio, desde as negociações do Roberto Medina e a construção da Cidade do Rock até as bandas que disseram um sonoro não; as exigências esdrúxulas dos artistas, as frescuras abissais e até o medinho que Robert Plant alegou ter de pegar dengue e cancelar sua apresentação em cima da hora (Rock in Rio de 1991). Como canta um aí, é um livro "de rock e intriga que você lê quando tem dor de barriga". É divertidíssimo! 

O QUE VER?

Vamos falar de filmes/documentário e, ao final do artigo, três clipes de presente.

Documentários brasileiros:

- o recém lançado QUEM É CIRO PESSOA, do cineasta Wladimyr Cruz, conta a trajetória do cara que criou os Titãs através de entrevistas com o próprio Ciro, Branco Mello, Fernando Deluqui, a ex-companheira de Ciro, a Vânia, pessoas do Cabine C e por aí segue - imagens de shows e vídeos caseiros também fazem parte.  Como quem vai assistir gosta do Ciro - seja como criador dos Titãs, do Cabine C, do Flying Chair (sua última banda) entre outros, não é spoiler contar que ele vinha tratando um câncer e faleceu por causa da COVID no ano passado.O filme do Ciro está disponível na plataforma BoxPlayBrazil, do canal a cabo MusicBoxBrazil: https://www.boxbrazilplay.com.br/epg/709803



- também recém lançado no festival In-Edit Brasil  deste ano, o documentário VOCÊ NÃO SABE QUEM EU SOU. Aqui, você vai entender o ponto de vista dos integrantes da banda sobre a briga que os separou, seu retorno aos palcos só com Scandurra e Nasi como membros originais e toda a iniciação do vocalista na religião/cultura Iarobá. Você pode assistir aqui: https://br.in-edit.tv/film/268

DOCUMENTÁRIO GRINGO

- O outro documentário é ALL I CAN SAY, sobre a vida de Shannon Hoon, vocalista da banda Blind Melon - também conhecida como "a banda da abelhinha".

Shannon não largava sua câmera, ele se filmava e também todos ao seu redor, logo  toda a produção é vista do seu ponto de vista. Contem imagem e conversas com sua mãe, sua namorada, cenas de bastidores, de hotéis... E é muito triste. A morte de um rapaz tão novo, com 28 anos recém completados e tão talentoso é sempre triste. Assista aqui: https://www.amazon.com/All-Can-Say-Shannon-Hoon/dp/B08H5TP18M

FILMES

A lista é infinita, mas falaremos de três também.

- A MÚSICA DA MINHA VIDA (2019) conta a história de um garoto de origem indiana que mora na Inglaterra. Sua vida é bem limitada por sua cultura em um país europeu, mas tudo  muda completamente quando, na escola, um de seus colegas o apresenta à música de Bruce Springsteen. É um filme para rir, chorar, cantar e dançar. Corre o risco de sua vida mudar também.




- Este é mais antigo, porém não menos emocionante, THE BACKBEAT BAND - OS CINCO RAPAZES DE LIVERPOOL (1994) conta a história de como John Lennon, Stuart Sutcliff, Pete Best, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr se conheceram até o dia que estouraram como uma das maiores bandas do mundo.



- Usando o clichê por último, mas não menos importante, é BOHEMIAN RAPSODY (2018), que conta a história de Farrokh Bulsara,  nascido em Zanzibar (atual Tanzânia) ou, para os íntimos, Freddie Mercury. Não tem como contar a história de Mercury sem o Queen, mas o filme não aborda apenas a banda. A história é sobre ele, suas festas (nem tanto) nababescas, a formação da banda, seus amores, uma suposta namorada, seus conflitos com ele mesmo e a família e sua triste morte por complicações do HIV. Muitos fãs não gostaram, pois acharam que a ordem dos acontecimentos está errada, mas amigos, isto não é um documentário - É UM FILME! E é de tirar lágrimas de pedra. E você pode assistir aqui: https://www.primevideo.com/gp/video/detail/Bohemian-Rhapsody/0IZJZ4T7W4LWJQRT7L52ARIUP9/ref=atv_nb_lcl_pt_BR?language=pt_BR&ie=UTF8

O QUE OUVIR

Agora não tem como não ser tendenciosa e marcar os artistas que me influenciaram, que ajudaram a formar quem sou. Vou postar o nome do álbum, você clica e ouve.

1. KISS - THE ELDER


2. V - Legião Urbana


3. AUTOMATIC FOR THE PEOPLE - R.E.M.



Para encerrar, três clipes de três bandas que talvez - apenas talvez - não sejam tão conhecidas assim.

1. COMMON PEOPLE - PULP


2. HERE'S LOOKING AT YOU, KID - THE GASLIGHT ANTHEM


3. MUSIC WHEN THE LIGHTS GO OUT - THE LIBERTINES



Um "plus" para acabar: RADIO - RANCID


Quando a gente tem o rock, a gente tem um lugar para ir.

That's all, folks!    




quinta-feira, 22 de abril de 2021

Crônica da Casa Assassinada, do mineiro Lúcio Cardoso


Publicado
 pela primeira vez em 1959, o romance Crônica da Casa Assassinada, do mineiro Lúcio Cardoso, ganhou uma nova edição, acrescida de análise crítica, e será adaptado para o cinema pela segunda vez, agora sob a direção de José Luiz Villamarim. Numa época em que o Brasil buscava um salto para a modernidade, os anos JK, o livro de Cardoso relatava a decadência de uma tradicional família mineira representada por sua própria chácara.Era um dos livros prediletos de Myrtha Rac'z .(Estadão)

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Melhores Crônicas João do Rio para o fim de semana

Melhores Crônicas João do Rio


Melhores Crônicas João do Rio
de João do Rio
Seleção e Prefácio - Edmundo Bouças
Seleção e Prefácio - Fred Góes


Nº de Páginas: 327

SOBRE O LIVRO

"[...] o cronista procurava adaptar a sua percepção ao ritmo do progresso, de que o cinema e o automóvel eram duas ousadas expressões. [...] suas crônicas, quaisquer que sejam os artifícios e futilarias, além de conciliar esplendidamente o jornalismo e a literatura, adaptaram-se com extraordinária maleabilidade ao ritmo acelerado da vida contemporânea." Afrânio Coutinho "João do Rio é o escritor da rua, com sua periculosidade e suas paixões. Chama-nos a atenção o fato de um dos livros de crônicas intitular-se A alma encantadora das ruas, centralizando o grande tema, que leva o autor a afirmar a existência da alma das ruas, na esperança de que sua psicologia seja compreendida, seu mistério ouvido." Helena Parente Cunha "Como jornalista, foi um inovador histórico da nossa imprensa diária, fundindo a reportagem e a crônica num novo gênero personalíssimo e então pouco comum." João Carlos Rodrigues


O AUTOR
João do Rio, pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1881 — 23 de junho de 1921) foi um jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo brasileiro.

Filho de Alfredo Coelho Barreto, professor de matemática e positivista, e da dona-de-casa Florência dos Santos Barreto, Paulo Barreto nasceu na rua do Hospício, 284 (atual rua Buenos Aires, no Centro do Rio). Estudou Português no Colégio São Bento, onde começou a exercer seus dotes literários, e aos 15 anos prestou concurso de admissão ao Ginásio Nacional (hoje, Colégio Pedro II).

Em 1 de junho de 1899, com 18 anos incompletos, teve seu primeiro texto publicado em A Tribuna, jornal de Alcindo Guanabara. Assinado com seu próprio nome, era uma crítica intitulada Lucília Simões sobre a peça Casa de Bonecas de Ibsen, então em cartaz no teatro Santana (atual Teatro Carlos Gomes).

Prolífico escritor, entre 1900 e 1903 colabora sob diversos pseudônimos com vários órgãos da imprensa carioca, como O Paiz, O Dia, Correio Mercantil, O Tagarela e O Coió. Em 1903, é indicado por Nilo Peçanha para a Gazeta de Notícias, onde permaneceria até 1913. Foi neste jornal que, em 26 de novembro de 1903 nasceu João do Rio, seu pseudônimo mais famoso, assinando o artigo "O Brasil Lê", uma enquete sobre as preferências literárias do leitor carioca. E, como indica Gomes (1996, p. 44), "daí por diante, o nome que fixa a identidade literária engole Paulo Barreto. Sob essa máscara publicará todos os seus livros e é como granjeia fama. Junto ao nome o nome da cidade".

Paulo Barreto, homossexual

As preferências sexuais de Paulo Barreto desde cedo constituíram-se em motivo de suspeita (e, posteriormente, de troça) entre seus contemporâneos. Solteiro, sem namorada ou amante conhecidas, muitos de seus textos deixam transparecer uma inclinação homoerótica bastante explícita. As suspeitas praticamente se confirmaram quando ele se arvorou em divulgador na terra brasileira, da obra do "maldito" Oscar Wilde, de quem traduziu várias obras.

Figura ímpar, que se vestia e se comportava como um "dândi de salão" (Rodrigues, 1996, p. 239), Paulo Barreto jamais ousou desafiar os estereótipos com os quais a sociedade rotula os homossexuais. Todavia, ao se propôr a defender novas idéias nos campos político e social, sua figura "volumosa, beiçuda, muito moreno, lisa de pêlo" (como registrou Gilberto Amado) tornou-se um alvo perfeito para toda sorte de racistas e homofóbicos reacionários, dentre eles, Humberto de Campos.

É nesse contexto que se insere seu suposto "flirt" com Isadora Duncan, que apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1916. Duncan e Barreto já haviam se conhecido anteriormente, em Portugal, mas foi somente durante a temporada no Rio que se tornaram íntimos. O grau dessa intimidade é um mistério. Especula-se que tudo poderia não ter passado de uma "jogada de marketing" para atrair a atenção da imprensa, embora outras fontes citem um suposto diálogo em que a bailarina teria interpelado Barreto sobre sua pederastia, ao que ele teria respondido: Je suis trés corrompu ("Sou completamente corrupto").

domingo, 16 de agosto de 2020

Vocabulário de Foucault


Vocabulário de Foucault
de Edgardo Castro


480 páginas

O LIVRO
Vocabulário de Foucault - Um percurso pelos seus temas, conceitos e autores, do argentino Edgardo Castro. Organizado em cerca de 300 verbetes minuciosamente pesquisados, o livro apresena e mapeia os principais temas do pensador francês. Há entradas para outros filósofos - Deleuze, Derrida, Descartes etc - mas também para assuntos como Democracia, Desejo, e Liberalismo, entre muitos outros.

UM TRECHO DO PREFÁCIO
“Guardadas as diferenças, poderíamos começar como Foucault no prefácio a Les mots et les choses e dizer que este livro nasceu de um texto de Borges. Foucault refere-se àquela enciclopédia chinesa onde aparece uma inquietante classificação dos animais: “(a) pertencentes ao Imperador, (b) embalsamados, (c) domesticados, (d) leitões, (e) sereias, (f) fabulosos, (g) cães em liberdade, (h) incluídos na presente lassificação, (i) que se agitam como loucos, (j) inumeráveis, (k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo, (l) et cetera, (m) que acabam de quebrar a bilha, (n) que de longe parecem moscas”.

Sempre, segundo Foucault, essa classificação provoca riso. Não pelo que nos pode sugerir o conteúdo de cada um de seus itens, mas pelo fato de que eles tenham sido ordenados alfabeticamente. O que nos faz rir é que no não lugar da linguagem se tenha podido justapor, como em um espaço comum, o que efetivamente carece de lugar comum. Provoca riso e inquietude a heterotopia que domina essa classificação. Supondo que os “inumeráveis”, os “fabulosos” ou os “et cetera” existam, na classificação de Borges, trata-se de ordenar “seres”; no Vocabulário de Foucault – Um percurso por seus temas, conceitos e autores, de ordenar “conceitos”. Mas, ainda que pareça que os “conceitos” estejam mais próximos das palavras e facilitem a operação, apesar disso, o perigo não é menor. De fato, este Vocabulário pode produzir o mesmo efeito que a classificação dos animais da enciclopédia chinesa; porque, claramente, tal como ela, poderia ser apenas o esforço para encontrar um lugar comum para o que parece não tê-lo. O próprio Foucault, com certa frequência, assinalou o caráter fragmentário e hipotético de seu trabalho, sua recusa em elaborar teorias acabadas, seu horror à totalidade. Seria, então, somente a pretensão de querer pôr ordem e limites a seu pensamento, recorrendo à simplicidade e finitude alfabéticas. Mais ainda, tentando ser simultaneamente breve e extenso, analítico, mas exaustivo, encerrando o universo do pensamento foucaultiano na enclausurada gramática de um dicionário, este Vocabulário não só provocaria o mesmo efeito que essa estranha classificação de animais, mas correria o risco de converter-se ele mesmo em uma enciclopédia chinesa. Porque, “notoriamente não há classificação do universo que não seja arbitrária e conjetural”. E nada nos assegura que, com o afã de ordenar, não venhamos a cair nessas autoimplicações (classificar os conteúdos mesmos da classificação; como Borges, “(h) incluídos na presente classificação”) que só os labirintos da linguagem permitem construir. E, finalmente, no pior dos casos, provocar somente riso, e, no melhor, também inquietude.

- Mas e se esse espaço comum existisse?

- Ah, bom, então, apresentar este Vocabulário se reduziria a dizer, de novo como Foucault: “Eu não escrevo para um público, escrevo para usuários, não para leitores”

QUEM É MICHEL FOUCAULT
Michel Foucault (Poitiers, 15 de outubro de 1926 — Paris, 25 de junho de 1984) foi importante filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Suas idéias notáveis envolvem o biopoder e a sociedade disciplinar, sendo seu pensamento influenciado por Nietzsche, Heidegger, Althusser e Canguilhem.

As obras, desde a História da Loucura até a História da sexualidade (a qual não pôde completar devido a sua morte) situam-se dentro de uma filosofia do conhecimento.

As teorias sobre o saber, o poder e o sujeito romperam com as concepções modernas destes termos, motivo pelo qual é considerado por certos autores, contrariando a própria opinião de si mesmo, um pós-moderno. Os primeiros trabalhos (História da Loucura, O Nascimento da Clínica, As Palavras e as Coisas, A Arqueologia do Saber) seguem uma linha pós-estruturalista, o que não impede que seja considerado geralmente como um estruturalista devido a obras posteriores como Vigiar e Punir e A História da Sexualidade. Além desses livros, são publicadas hoje em dia transcrições de seus cursos realizados no Collège de France e inúmeras entrevistas, que auxiliam na introdução ao pensamento deste autor.

Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas deste termo. Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado, o que tornaria impossível a "tomada de poder" proposta pelos marxistas. O poder não é considerado como algo que o indivíduo cede a um soberano (concepção contratual jurídico-política), mas sim como uma relação de forças. Ao ser relação, o poder está em todas as partes, uma pessoa está atravessada por relações de poder, não pode ser considerada independente delas. Para Foucault, o poder não somente reprime, mas também produz efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetividades.

Para analisar o poder, Foucault estuda o poder disciplinar e o biopoder, e os dispositivos da loucura e da sexualidade. Para isto, em lugar de uma análise histórica, realiza uma genealogia, um estudo histórico que não busca uma origem única e causal, mas que se baseia no estudo das multiplicidades e das lutas. Também abriu novos campos no estudo da história e da epistemologia.

As criticas e análises feitas por Foucault (1979) são pertinentes principalmente em relação ao significado de categorias de análise como soberania; mecanismos de poder; efeitos de verdade, regras de poder; etc., categorias essas de fundamental importância para a análise e compreensão do funcionamento do Estado e dos problemas cotidianos do homem comum.

Foucault (1979) renega os modos tradicionais de analisar o poder e procura realizar suas análises não de forma dedutiva e sim indutiva, por isso passou a ter como objeto de análise não categorias superiores e abstratas de análise tal como questões do que é o poder, o que o origina e tantos outros elementos teóricos, voltando-se para elementos mais periféricos do sistema total, isto, é, passou-se a interessar-se pelos locais onde a lei é efetivada realmente. Hospitais psiquiátricos, forças policiais, etc, sãos os locais preferidos do pensador para a compreensão das forças reais em ação e as quais devemos realmente nos preocupar, compreender e buscar renovar constantemente.

Segundo este pensamento, devemos compreender que a lei é uma verdade “construída” de acordo com as necessidades do poder, em suma, do sistema econômico vigente, sistema, atualmente, preocupado principalmente com a produção de mais-valia econômica e mais-valia cultural, tal como explicado por Guattari (1993). O poder em qualquer sociedade precisa de um delimitação formal, precisa ser justificado de forma abstrata o suficiente para que seja introjetada psicologicamente, a nível macro social, como uma verdade a priori, universal. Desta necessidade, desenvolvem-se a regras do direito, surgindo, portanto, os elementos necessários para a produção, transmissão e oficialização de “verdades”. “O poder precisa da produção de discursos de verdade (p.180), como diria Foucault (1979). O poder não é fechado, ele estabelece relações múltiplas de poder, caracterizando e constituindo o corpo social e, para que não desmorone, necessita de uma produção, acumulação, uma circulação e um funcionamento de um discurso sólido e convincente. “Somos obrigados pelo poder a produzir verdade”, nos confessa o pensador, “somos obrigados ou condenados a confessar a verdade ou encontrá-la (...) Estamos submetidos à verdade também no sentido em que ela é a lei, e produz o discurso da verdade que decide, transmite e reproduz, pelo menos em parte, efeitos de poder (p.180).”

Michel Foucault viveu sua homossexualidade ao lado do companheiro Daniel Defert. Seu amante de longos vinte anos, dez anos mais novo que o filósofo, mas de fôlego intelectual intenso. Defert ainda vive e milita contra a AIDS ou SIDA. Em junho de 1984, em função de complicações provocadas pela AIDS, Foucault teve uma septicemia, o que o leva à morte por supuração cerebral.

BIBLIOGRAFIA

* Doença Mental e Psicologia, 1954;
* História da loucura na idade clássica, 1961;
* Nascimento da clínica, 1963;
* As palavras e as coisas, 1966;
* Arqueologia do saber, 1969;
* Vigiar e punir, 1975;
* História da sexualidade:
o A vontade de saber, 1976;
o O uso dos prazeres, 1984;
o O Cuidado de Si, 1984;
o Ditos e escritos; (2006);
* A vontade de saber; (1970-1971)
* Teorias e instituições penais; (1971-1972)
* A sociedade punitiva; (1972-1973)
* O poder psiquiátrico; (1973-1974)
* Os anormais; (1974-1975)
* Em defesa da sociedade; (1975-1976)
* Segurança, território e população; (1977-1978)
* Nascimento da biopolítica; (1978-1979)
* Microfísica do Poder; (1979)
* Do governo dos vivos; (1979-1980)
* Subjetividade e verdade; (1980-1981)
* A hermenêutica do sujeito; (1981-1982)
* Le gouvernement de soi et des autres; (1983)
* Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité; (1984)
* A Verdade e as Formas Jurídicas; (1996)
* A ordem do discurso; (1970)
* O que é um autor?; (1983)

quinta-feira, 25 de junho de 2020

DEVASSOS NO PARAÍSO - repostando


A HOMOSSEXUALIDADE NO BRASIL, DA COLÔNIA À ATUALIDADE

de João Silvério Trevisan

Páginas - 588
Editora Record
Dentro da coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, a Editora Record lpublicou a nova versão de uma obra fundamental para o estudo da homossexualidade no Brasil. Publicado originalmente em 1986 (a pedido da editora londrina Gay Men's Press) e esgotado há quase uma década, DEVASSOS NO PARAÍSO dobrou de tamanho, para abranger as grandes mudanças ocorridas no Brasil nesse período, fruto, principalmente da disseminação da Aids, ainda incipiente quando o estudo original foi escrito
João Silvério Trevisan investiga a atuação no Brasil, a partir de 1591, do Santo Ofício, preocupada em punir os sodomitas, aborda a formação dos conceitos de pecado e desvio de conduta em relação à homossexualidade e, partindo disso, analisa os esforços de políticos, autoridades policiais, juizes, higienistas e psiquiatras para entender e tentar conter a pederastia nos séculos XIX e XX. E chega até o final deste século, discutindo direitos civis, inserção social de minorias, Aids e intolerância. Trevisan, porém, não se limita a um estudo histórico documental. Ele se vale de instrumentos da antropologia e da psicanálise, disseca a religião, analisa o homoerotismo nas artes e na mídia e revela o cotidiano homossexual, através de diversos depoimentos.
João Silvério Trevisan, paulista de Ribeirão Bonito, 56 anos, é escritor, diretor e roteirista de cinema, tradutor e jornalista. Entre outras obras, escreveu Seis balas em um buraco só (ensaios), Ana em Veneza (romance) Troços e destroços (contos), publicados pela Editora Record. Para teatro escreveu a peça Heliogábalo & Eu. No cinema, Trevisan realizou e dirigiu o curta-metragem Contestação (1969) e o longa Orgia ou o homem que deu cria, além de vários roteiros para outros diretores

"João Silvério Trevisan mantém em Devassos no paraíso, por trás da organização meticulosa, aquele lastro de paixão e ira mais característico da ficção do que da seca teoria. Inquietante, às vezes doloroso e sempre provocativo, Devassos no Paraíso (...) é um livro histórico." - Caio Fernando Abreu, Istoé

"Dois grandes méritos tornam Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan, uma obra pioneira e fundamental: por um lado, organiza os materiais que recriam uma história (perdida) da homossexualidade no Brasil; por outro procede a uma espécie de "micropolítica vivencial" que reconhece (...) as alternativas de uma tensão - ou de um embate - entre o desejo que anima os encontros intermasculinos e a lei (também masculina) que os sufoca ou os vela." - Néstor Perlongher, Folha de S. Paulo

"Uma história da homossexualidade no Brasil e um estudo das posturas sociais através das décadas, Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido." - Peter Burton, Gay Times


O AUTOR
João Silvério Trevisan (Ribeirão Bonito, 23 de junho de 1944) é um escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor, cineasta e ativista GLBT brasileiro.

Fundador do Grupo SOMOS na defesa dos direitos dos homossexuais na década de 1970. Até setembro de 2005 atuava como diretor da oficina literária do SESC. Assina uma coluna mensal na revista G Magazine.

Obras

Cinema, como autor

* Contestação (curta-metragem, 1969)
* Orgia ou o homem que deu cria (longa-metragem, 1971)

Cinema, participação técnica

* Assistente de direção no média-metragem Liberdade de Imprensa (1967)
* Responsável pela trilha sonora dos longas-metragens Gamal, o delírio do sexo (1969), Paulicéia Fantástica (1969/70) e do média-metragem Eterna Esperança (1970)

Jornalismo

* O Lampião da Esquina

Literatura

* Testamento de Jônatas Deixado a David (1976)
* As Incríveis Aventuras de El Cóndor' (1980)
* Em Nome do Desejo (1983)
* Vagas Notícias de Melinha Marchiotti (1984)
* Devassos no Paraíso (1986)
* O Livro do Avesso (1992)
* Ana em Veneza (1994)
* Troços & Destroços (1997)
* Seis Balas num Buraco Só: A Crise do Masculino (1998)
* Pedaço de Mim (2002)
* Em breve: livro sobre o mundo gay de São Paulo

Roteiro (adaptação)

* Doramundo, obra de Geraldo Ferraz e direção de João Batista de Andrade (1º tratamento, 1977) - aclamado com o prêmio de melhor filme, cenografia e diretor no Festival de Gramado de 1978
* A mulher que inventou o amor, de Jean Garrett (1981)

Teatro

* Heliogábalo & Eu
* Em Nome do Desejo
* Troços & Destroços
* Hoje é dia do Amor


por Raul Galalite

terça-feira, 2 de junho de 2020

O ZONAPUNK VIROU LIVRO!!!

Por Sharon Sevilha

O jornalista, documentarista, cineasta e zonapunker Wladimyr Cruz, finalmente selou sua imortalidade lançando este livro. Explico: como pessoas, somos todos mortais, mas o que produzimos, criamos, a semente que plantamos na cabeça e/ou coração de alguém, isto sim, é imortal.

Não é um livro de memórias, longe disto. São apanhados do site ZonaPunk nos últimos vinte anos. Você vai ler trechos de depoimentos de vários artistas entrevistados pelo jornalista, compartilhará  alguns shows com as resenhas e fotografias de vários colaboradores e se eu contar mais, estraga a surpresa.

Wladimyr, como poucos, sempre acreditou e viveu à risca o do it yourself. Este livro é a prova disto. E seus documentários e seus filmes curtos também. É dele o curta de terror ao qual assisti e que mais me deu  medo. E que quase me rendeu um bode de verdade. Provavelmente preto, mas isto é outra história. 

O livro está na pré-venda e só serão lançados cem exemplares. Clique AQUI para adquirir o seu  ou , se quiser garantir o livro mais uma camiseta comemorativa, clique AQUI.

Nenhuma descrição de foto disponível.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

LIVE DO MUTA

Por Sharon Sevilha

Esta é para quem gosta de um bom filme, um bom livro ou de um bom quadrinho. O quadrinista, ator e escritor Lourenço Mutarelli fará uma live no próximo dia 30. 


Seu primeiro livro, O CHEIRO DO RALO, virou filme com Selton Mello como protagonista, mas o Muta faz uma ponta. Outro filme no qual você pode vê-lo atuando é o fabuloso QUE HORAS ELA VOLTA? - uma poética crítica social, daquelas que você acaba de ver o filme e se pergunta: quem não conhece alguém assim?

No teatro, ele participou da peça  Música para Ninar Dinossauros. Além dos quadrinhos, o homém faz de tudo! E, como pessoa, é inteligente, criativo, incrível!

Se você quiser ler mais de suas obras, além do supracitado, as dicas são A Arte de Produzir o Efeito sem Causa Miguel e Seus Demônios.





sexta-feira, 24 de abril de 2020

Leiam antes que queimem


DEVASSOS NO PARAÍSO -

A HOMOSSEXUALIDADE NO BRASIL, DA COLÔNIA À ATUALIDADE

de João Silvério Trevisan

Páginas - 588
Editora Record
Dentro da coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, a Editora Record lpublicou a nova versão de uma obra fundamental para o estudo da homossexualidade no Brasil. Publicado originalmente em 1986 (a pedido da editora londrina Gay Men's Press) e esgotado há quase uma década, DEVASSOS NO PARAÍSO dobrou de tamanho, para abranger as grandes mudanças ocorridas no Brasil nesse período, fruto, principalmente da disseminação da Aids, ainda incipiente quando o estudo original foi escrito
João Silvério Trevisan investiga a atuação no Brasil, a partir de 1591, do Santo Ofício, preocupada em punir os sodomitas, aborda a formação dos conceitos de pecado e desvio de conduta em relação à homossexualidade e, partindo disso, analisa os esforços de políticos, autoridades policiais, juizes, higienistas e psiquiatras para entender e tentar conter a pederastia nos séculos XIX e XX. E chega até o final deste século, discutindo direitos civis, inserção social de minorias, Aids e intolerância. Trevisan, porém, não se limita a um estudo histórico documental. Ele se vale de instrumentos da antropologia e da psicanálise, disseca a religião, analisa o homoerotismo nas artes e na mídia e revela o cotidiano homossexual, através de diversos depoimentos.
João Silvério Trevisan, paulista de Ribeirão Bonito, 56 anos, é escritor, diretor e roteirista de cinema, tradutor e jornalista. Entre outras obras, escreveu Seis balas em um buraco só (ensaios), Ana em Veneza (romance) Troços e destroços (contos), publicados pela Editora Record. Para teatro escreveu a peça Heliogábalo & Eu. No cinema, Trevisan realizou e dirigiu o curta-metragem Contestação (1969) e o longa Orgia ou o homem que deu cria, além de vários roteiros para outros diretores

"João Silvério Trevisan mantém em Devassos no paraíso, por trás da organização meticulosa, aquele lastro de paixão e ira mais característico da ficção do que da seca teoria. Inquietante, às vezes doloroso e sempre provocativo, Devassos no Paraíso (...) é um livro histórico." - Caio Fernando Abreu, Istoé

"Dois grandes méritos tornam Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan, uma obra pioneira e fundamental: por um lado, organiza os materiais que recriam uma história (perdida) da homossexualidade no Brasil; por outro procede a uma espécie de "micropolítica vivencial" que reconhece (...) as alternativas de uma tensão - ou de um embate - entre o desejo que anima os encontros intermasculinos e a lei (também masculina) que os sufoca ou os vela." - Néstor Perlongher, Folha de S. Paulo

"Uma história da homossexualidade no Brasil e um estudo das posturas sociais através das décadas, Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido." - Peter Burton, Gay Times


O AUTOR
João Silvério Trevisan (Ribeirão Bonito, 23 de junho de 1944) é um escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor, cineasta e ativista GLBT brasileiro.

Fundador do Grupo SOMOS na defesa dos direitos dos homossexuais na década de 1970. Até setembro de 2005 atuava como diretor da oficina literária do SESC. Assina uma coluna mensal na revista G Magazine.

Obras

Cinema, como autor

* Contestação (curta-metragem, 1969)
* Orgia ou o homem que deu cria (longa-metragem, 1971)

Cinema, participação técnica

* Assistente de direção no média-metragem Liberdade de Imprensa (1967)
* Responsável pela trilha sonora dos longas-metragens Gamal, o delírio do sexo (1969), Paulicéia Fantástica (1969/70) e do média-metragem Eterna Esperança (1970)

Jornalismo

* O Lampião da Esquina

Literatura

* Testamento de Jônatas Deixado a David (1976)
* As Incríveis Aventuras de El Cóndor' (1980)
* Em Nome do Desejo (1983)
* Vagas Notícias de Melinha Marchiotti (1984)
* Devassos no Paraíso (1986)
* O Livro do Avesso (1992)
* Ana em Veneza (1994)
* Troços & Destroços (1997)
* Seis Balas num Buraco Só: A Crise do Masculino (1998)
* Pedaço de Mim (2002)
* Em breve: livro sobre o mundo gay de São Paulo

Roteiro (adaptação)

* Doramundo, obra de Geraldo Ferraz e direção de João Batista de Andrade (1º tratamento, 1977) - aclamado com o prêmio de melhor filme, cenografia e diretor no Festival de Gramado de 1978
* A mulher que inventou o amor, de Jean Garrett (1981)

Teatro

* Heliogábalo & Eu
* Em Nome do Desejo
* Troços & Destroços
* Hoje é dia do Amor


por Raul Galalite

quinta-feira, 23 de abril de 2020

LEIAM ANTES QUE QUEIMEM


CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO


CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO
de Luiz Mott
Coleção: CONTRALUZ

Editora - RECORD





O livro - Neste livro de crônicas, parte da Coleção Contraluz, Luiz Mott, o "decano" do movimento gay do Brasil, reconstitui o abrangente painel da homossexualidade. Misturando experiências pessoais com o afinado olhar do antropólogo, do militante e fundador do Grupo Gay da Bahia, o autor desvela hipocrisias, preconceitos e dá uma lição de resistência à sociedade brasileira. Em Crônicas de um Gay Assumido, Mott desvenda mitos e verdades sobre o mundo gay, as tribos sexuais, faz confidências e promove discussões sobre homofobia e homoerotismo com a grife, o humor, a ousadia e a sinceridade de um pioneiro do movimento gay no Brasil.

O autor - Luiz Roberto de Barros Mott (São Paulo, 6 de maio de 1946) é antropólogo, historiador, sociólogo e pesquisador, e um dos mais notáveis ativistas brasileiros em favor dos direitos civis das pessoas de minoria sexual, ou seja, gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transsexuais e transgêneras.

Luiz Mott nasceu em São Paulo, de tradicional família interiorana. Estudou em Seminário Dominicano de Juiz de Fora. Formou-se em Ciências Sociais na USP. Fez mestrado na Sorbonne, em Etnologia e é doutor em Antropologia, pela Unicamp.

Desde o final dos anos 80 radicado em Salvador, cidade que lhe concedeu o título de Cidadão Honorário, leciona na UFBA.

Assumiu suas preferências sexuais em 1977. Luiz Mott foi o fundador do Grupo Gay da Bahia, uma das principais instituições que laboram em prol dos direitos humanos dos gays no Brasil.

Além de muitos trabalhos publicados esparsamente (e traduzidos a outros idiomas), os livros de Luiz Mott são:

* Sexo Proibido;
* O Lesbianismo no Brasil;
* Gays, Virgens e Escravos nas garras da Inquisição;
* Rosa Egípcia: Uma santa africana no Brasil;
* Violação dos Direitos Humanos dos Homossexuais no Brasil;
* Os Pecados da Família na Bahia de todos os Santos;
* A Cena Gay em Salvador em tempos de Aids; Causa-Mortis: Homofobia;
* Escravidão, Homossexualidade e Demonologia.



Raul Galalite

terça-feira, 21 de abril de 2020

Nestes novos tempos ou Leiam antes que queimem


O BANQUETE


O BANQUETE de Platão
tradução direto do grego de Carlos 
Alberto Nunes

Estamos falando desta vez de um clássico e muito especialmente desta edição que faz parte de uma segunda edição completa das obras de Platão organizada por Benedito Nunes e estruturada em 1980. São 14 volumes. O Banquete é publicado conjuntamente com a Apologia de Sócrates.


Esta é uma tradução de um dos mais celebrados textos de Platão, onde encontramos os diálogos éticos acerca da natureza e qualificação de Eros, ou o tema do Amor. No Banquete, de que é o tema central, Eros é objeto de vários elogios, mas o elogio propriamente filosófico vem de Sócrates pela boca da mulher de Mantinéia, a sábia Diotima. Assim como em A República, O Banquete tem lugar certo e público identificável: ocorreu na casa de Agatão, discípulo de Sócrates. Lá discursaram sobre o amor, ou sobre a amizade (philia), esses dois, além de Fedro, Pausânias, Erixímaco (o médico) e Aristófanes (o poeta). Sendo assim, ao redigir O Banquete, Platão utilizou-se de personalidades da época como o comediante Aristófanes, o poeta Agatão, o médico Erixímaco, para servir de porta-vozes de seu pensamento, servindo de exemplos para os leitores da obra.

O que realmente se passou na casa de Agatão começa a ser relatado por Apolodoro em 174a. Sócrates chega por último, quando todos já estavam acomodados e o banquete já havia se iniciado, estando pelo meio. Frente ao banquete, Pausânias lembra que deveriam beber com moderação: faz referência ao dia anterior, no qual havia bebido exageradamente e ficado abalado fisicamente.

Os discursos sobre o amor iniciam com Fedro: "iniciou o seu discurso [Fedro] declarando que Eros era uma divindade poderosa e admirável, tanto entre os homens como entre os deuses, por várias razões, mas, antes de tudo, pelo nascimento." Fedro é o primeiro, e por isso pai do discurso, a falar sobre o deus Eros: ele condena o ofício dos poetas que têm por missão cantar hinos aos deuses mas se esquecem de Eros. Fedro, no seu discurso, faz a justificação moral de Eros, mas não investiga a fundo sua essência e suas formas. De qualquer forma, é devido à fala desse discípulo de Sócrates que toda a discussão se inicia. Com o intuito de elevar Eros, Fedro encerra seu discurso dizendo que esse é o deus mais antigo, mais respeitável e o mais "autorizado" a levar o homem à posse das virtudes e da felicidade, nesta vida e depois da morte!

Escrito aproximadamente antes de 384 a. C, O Banquete é constituído por sete discursos em louvor a Eros, deus do amor, antecedidos pela apresentação dos personagens e finalizados pelo discurso de Sócrates, que conclui o simpósio. O diálogo se encerra quando Alcebíades, estratego do exército ateniense, fingindo estar bebado, faz uma declaração de amor a Sócrates.
E.Cruz

Uma publicação da
Editora Universitária UFPA

domingo, 19 de abril de 2020

RELEMBRANDO FIM DE JOGO, 1945

FIM DE JOGO, 1945 de David Stafford


A 2a Grande Guerra



O QUE UMA GUERRA TEM DE GRANDE? Pois bem , número de vítimas, número de países envolvidos no conflito, montante do prejuízo. Ou seriam os avanços tecnológicos, as mudanças geopolíticas, o butim. Na guerra, por mais grandioso que seja o número, o valor exponencial do desumano deve falar mais alto. A segunda guerra mundial infelizmente não deixou lição nenhuma e sim décadas de um mundo dividido entre teorias econômicas. E o povo? A este coube e cabe contar e enterrar seus mortos.

Entre os anos de 1939 e 1945, o mundo viveu o maior e mais sangrento confronto da história da humanidade - a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) que opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a China, a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos.

O Brasil se integrou aos Aliados em agosto de 1942. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua vez, perfaziam as forças do Eixo. Muitos outros países participaram na guerra, quer porque se juntaram a um dos lados, quer porque foram invadidos, ou por haver participado de conflitos laterais. Em algumas nações (como a França e a Jugoslávia), a Segunda Guerra Mundial provocou confrontos internos entre partidários de lados distintos.

A Primeira Guerra Mundial - "feita para pôr fim a todas as guerras" - transformou-se no ponto de partida de novos e irreconciliáveis conflitos, pois o Tratado de Versalhes (1919) disseminou um forte sentimento nacionalista, que culminou no totalitarismo nazi-fascista. As contradições se aguçaram com os efeitos da Grande Depressão. Além disso, a política de apaziguamento, adotada por alguns líderes políticos do período entre guerras e que se caracterizou por concessões para evitar um confronto, não conseguiu garantir a paz internacional. Sua atuação assemelhou-se à da Liga das Nações: um órgão frágil, sem reconhecimento e peso, que deveria cuidar da paz mundial, mas que fracassou totalmente.


O líder alemão de origem austríaca Adolf Hitler, Führer do Terceiro Reich, pretendia criar uma "nova ordem" na Europa, baseada nos princípios nazistas que defendiam a superioridade germânica, na exclusão — e supostamente eliminação física incluída — de algumas minorias étnicas e religiosas, como os judeus e os ciganos, bem como deficientes físicos e homossexuais; na supressão das liberdades e dos direitos individuais e na perseguição de ideologias liberais, socialistas e comunistas.

O marco inicial ocorreu no ano de 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. De acordo com a política de alianças militares existentes na época, formaram-se dois grupos : Aliados ( liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos ) e Eixo ( Alemanha, Itália e Japão ).

A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.

Assim, foi numa Alemanha envenenada pelo descontentamento que Adolf Hitler ergueu a voz pela primeira vez. Apelando para a convicção do povo alemão de que tinham sido brutalmente oprimidos pelos vencedores da guerra, logo conseguiu uma larga audiência. Falava de grandeza nacional e da superioridade racial nórdica, denunciava judeus e comunistas como aqueles que haviam apunhalado a Alemanha pelas costas e levado o país à derrota, e por meio de um programa intensivo de propaganda criou o Partido Nacional-Socialista, que em 1932 tinha 230 lugares no Parlamento alemão e cerca de 13 milhões de adeptos. Depois da morte do Presidente Hindenburg, em 1934, o poder de Hitler tornou-se absoluto. No verão de 1934, eliminou implacavelmente os rivais e, desprezando a regra de lei, estabeleceu um regime totalitário.


Em seguida deu inicio a um programa de rearmamento, em contravenção ao Tratado de Versalhes, mas sem ser impedido pelos demais signatários, e no começo de 1936 já estava confiante o bastante para enviar tropas alemães para reocupar a região do Reno. Mais uma vez os Aliados não fizeram nenhuma tentativa para detê-lo, e a operação foi bem sucedida. Mais tarde, no mesmo ano, ele e seu aliado italiano fascista Benito Mussolini enviaram auxílio a Franco na Guerra Civil Espanhola e assinaram um pacto unindo-os no Eixo Berlim-Roma.

A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria.

Começou olhando na direção da Áustria, que já possuía um forte movimento nazista, mas cujo chanceler estava ansioso por conservá-la como nação independente. Os exércitos de Hitler avançaram assim mesmo e, em 1938, entraram em Viena, sem encontrar oposição. Hitler tivera êxito pela combinação de uma diplomacia de força e um hábil desenvolvimento de sua máquina de propaganda.

A Checoslováquia seria a próxima vítima. A região fronteiriça, conhecida como Sudetos, tinha uma população alemã que se sentia excessivamente discriminada tanto pelos tchecos quanto pelos eslovacos. A região era rica em recursos minerais, tinha um grande exército, e ostentava fábricas de equipamento bélico Skoda. Incitando o descontentamento da população germânica, Hitler foi capaz de fomentar a agitação na Checoslováquia, que levou a um confronto armado na fronteira. Nessa altura, o primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, representando os defensores da Checoslováquia - Inglaterra, França e Rússia -, foi à Alemanha acalmar Hitler. O resultado de uma série de reuniões foi que, a menos que os Sudetos fossem anexados à Alemanha, Hitler começaria uma guerra; mas se suas reivindicações territoriais na Checoslováquia fossem atendidas, não faria reivindicações posteriores no resto da Europa. A França e a Inglaterra concordaram - apesar de suas promessas de proteger a Checoslováquia -, e Hitler, quebrando também a sua promessa, mais tarde invadiu a Checoslováquia inteira. Considerou que a Inglaterra não estaria preparada para lutar por aquele país, e que a França não ia querer lutar sozinha - e estava certo; mas na vez seguinte, quando invadiu a Polônia, elas declararam guerra.

Como a história provaria mais tarde, a declaração veio com excesso de atraso. As vacilações das potências ocidentais haviam permitido que Hitler alcançasse uma força armada e uma posição na Europa, cujo desalojamento levaria seis anos de carnificina.

A Segunda Guerra Mundial, por sua amplitude e duração, contou com inúmeras campanhas e batalhas importantes. Neste texto, iremos nos reportar apenas àquelas que tiveram influência decisiva na evolução do conflito.
Empregando de forma combinada todos os elementos militares de que dispunham (aviação de assalto, aviação de bombardeio, blindados, artilharia e infantaria), os alemães criaram uma tática de combate denominada Blitzkrieg (Guerra-Relâmpago), de efeito esmagador. Ela lhes permitiu dominar rapidamente a Polônia e, em 1940, praticamente toda a Europa Ocidental – inclusive a França, que foi obrigada a se render. Mas a falta de recursos navais impediu Hitler de invadir a Grã-Bretanha e o levou a atacar a URSS. Os alemães avançaram profundamente no território soviético, até serem finalmente detidos na Batalha de Stalingrado (nov. 42/fev. 43). O Japão, envolvido contra a China desde 1937, atacou os EUA em dezembro de 1941, bombardeando a base naval de Pearl Harbor, no Havaí. Os japoneses conquistaram todo o Sudeste Asiático e o Pacífico Central, chegando às fronteiras da Índia e próximo da Austrália. Todavia, derrotados pelos norte-americanos na batalha naval de Midway (jun. 42), passaram a lutar defensivamente, de forma obstinada e até mesmo desesperada, tendo em vista que se tornou habitual lutarem até à morte, inclusive através de ataques suicidas.

A Itália foi invadida pelos Aliados em 1943. Mussolini, refugiado no norte do país sob a proteção dos alemães, foi capturado por guerrilheiros comunistas italianos e assassinado em abril de 1945. Hitler suicidou-se três dias mais tarde, quando os soviéticos se encontravam a três quarteirões de seu abrigo subterrâneo, em Berlim. A Alemanha capitulou pouco depois, em 8 de maio. Antes, em junho de 1944, ocorrera o célebre Dia D, quando tropas anglo-americano-canadenses desembarcaram na Normandia – região da França, então ocupada pelos alemães.

O Japão somente se rendeu em 15 de agosto de 1945, quando o imperador Hirohito anunciou pessoalmente, pelo rádio, a capitulação do país. Essa decisão foi conseqüência dos devastadores efeitos produzidos pelo bombardeio atômico das cidades de Hiroshima e Nagasaki, ocorridos respectivamente em 6 e 9 daquele mês.

O emprego de bombas atômicas contra o Japão, a fim de forçá-lo a cessar a luta, foi ordenado pelo novo presidente dos EUA, Truman (o presidente Franklin Roosevelt falecera em abril de 1945). Atualmente, os historiadores tendem a considerar que a ação norte-americana foi desnecessária, já que a capacidade de resistência dos japoneses estava em seu limite. Assim sendo, os bombardeios atômicos (com cerca de 200 mil vítimas fatais, sem considerar as seqüelas da radioatividade) teriam sido, fundamentalmente, um meio de intimidar a URSS – já no contexto da futura Guerra Fria.

Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945 com a rendição da Alemanha e Itália. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição, ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki. Uma ação desnecessária que provocou a morte de milhares de cidadãos japoneses inocentes, deixando um rastro de destruição nestas cidades.Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados. Foram milhões de mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave, principalmente na Alemanha, onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus.

Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Inicia-se também um período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados.  (E.C.)


O capítulo que faltava da Segunda Guerra Mundial

FIM DE JOGO, 1945

de David Stafford


Tradução: Joel Macedo



Formato: 16 x 23

704 páginas


O LIVRO

Concluir a narrativa da Segunda Guerra Mundial no Dia da Vitória é deixar a história apenas parcialmente contada. A guerra não termina quando cessam as batalhas. Soldados derrotados enfrentam longos dias como prisioneiros, os feridos continuam a morrer, pais buscam obstinadamente pelos filhos desaparecidos e os vitoriosos embarcam em missões épicas para caçar líderes inimigos.

Em Fim de jogo, 1945, o historiador David Stafford preenche algumas lacunas do conhecimento sobre o fim da Segunda Guerra. Ele revela como, para muitas pessoas, 8 de maio de 1945 – o Dia da Vitória na Europa – foi apenas uma breve pausa na ação. O horror e a dificuldade continuaram por muito tempo depois que os Aliados aceitaram a rendição incondicional da Alemanha Nazista.

Para narrar em detalhes o contexto do final do conflito, o autor entrelaça as vidas de pessoas comuns com as maquinações de líderes políticos e militares. Baseando-se em diários, cartas, testemunhos pessoais, memórias e uma extensa bibliografia, ele remonta a elaborada teia de eventos que levaram à verdadeira resolução da guerra. A invasão soviética, o suicídio de Hitler e a consequente rendição por parte do Eixo são partes-chave da história, mas não eram as únicas tramas em jogo à época.

Stafford relata histórias de homens e mulheres notáveis. Entre eles, Robert Ellis, um jovem soldado americano que tenta manter a alma intacta em meio à brutalidade da batalha, lutando em território italiano; Robert Reid, um correspondente de guerra viajando com o exército do general George Patton; Reginald Roy, um soldado canadense que enfrenta bravamente a resistência nazista na costa holandesa; e Francesca Wilson, que trabalha na ajuda humanitária e tenta desesperadamente mitigar o sofrimento trazido pela guerra.

Aclamado pela crítica, Fim de jogo, 1945 reconstrói os meses turbulentos que moldaram o mundo moderno. Mais do que os principais eventos que levaram ao fim do maior conflito humano já ocorrido – como as mortes de Hitler e Mussolini e a libertação dos prisioneiros dos campos de Buchenwald e Dachau –, o livro oferece um panorama pouco conhecido de homens e mulheres comuns, da Europa em meados dos anos 40 e da derrota do fascismo.
 


A  CRITICA

“Fascinante... Tenta colocar um rosto humano na desconcertante escala de morte e devastação. David Stafford faz isso de forma extraordinária.” – The Times

“Stafford reuniu uma galeria extraordinária de histórias humanas – heroicas, trágicas, infames, comoventes.” – Daily Mail

O AUTOR

David Stafford é historiador e ex-diplomata que tem escrito extensivamente sobre a inteligência, espionagem, Churchill e da Segunda Guerra Mundial. O ex-diretor do projeto no Centro para o Estudo das duas guerras mundiais, na Universidade de Edimburgo, ele  é um membro honorário da Universidade e Professor Adjunto da Universidade de Victoria, em British Columbia, onde ele e sua esposa vivem agora .

Frequentemente atuou como consultor na TV e  na rádio, escreveu documentários de rádio para a Canadian Broadcasting Corporation e  BBC, e seu livro mais recente, Dez dias para o dia D , formaram a base para um docudrama em duas partes do  Channel Four . Atuando é consultor histórico em um documentário de TV que está sendo feita por ORTV de Londres baseado em seu livro, Spies Beneath Berlin.
É crítico literário regular, aparecendo no the Times (London), BBC History Magazine, The Spectator, The Times Literary Supplement, The New York Times,o Times Herald Tribune(Paris), e Saturday Night e o Globe and Mail (Toronto).

David Stafford nasceu em Newcastle-upon-Tyne, tem titulos da Universidade de Cambridge e da Universidade de Londres (London School of Economics and Political Science), e quando ele não está escrevendo livros é um ávido leitor de ficção e um devotado fan das óperas de Mozart.

Em Abril de 2005 foi nomeado pelo primeiro-ministro para escrever a história oficial do SOE na Itália (Parte II, 1943-1945), que foi publicado pelo Bodley Head em março 2011.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Contra terraplanistas em geral

Francis Bacon e a fundamentação da ciência como tecnologia



Francis Bacon e a fundamentação da ciência como tecnologia

de Bernardo Jefferson de Oliveira

Coleção: Humanitas
284 p.

Durante muito tempo a ciência foi pensada como um conhecimento meramente teórico, desvinculado dos afazeres práticos, e a técnica foi tratada como um tipo de conhecimento inferior. No entanto, hoje em dia, quando se fala em ciência, é difícil dissociá-la da tecnologia. De onde vem essa aproximação? A história de suas relações é bastante polêmica. Este livro analisa a obra do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) como um discurso inaugural sobre a convergência entre o conhecimento técnico e a ciência.

Francis Bacon, também referido como Bacon de Verulâmio (Londres, 22 de Janeiro de 1561 — Londres, 9 de Abril de 1626) foi um político, filósofo e ensaísta inglês, barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio), visconde de Saint Alban. É considerado como o fundador da ciência moderna. Desde cedo, sua educação orientou-o para a vida política, na qual exerceu posições elevadas. Em 1584 foi eleito para a câmara dos comuns. Sucessivamente, durante o reinado de Jaime I, desempenhou as funções de procurador-geral (1607), fiscal-geral (1613), guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). Neste mesmo ano, foi nomeado barão de Verulam e em 1621, barão de Saint Alban. Também em 1621, Bacon foi acusado de corrupção. Condenado ao pagamento de pesada multa, foi também proibido de exercer cargos públicos. Como filósofo, destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Em suas investigações, ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo muitas vezes chamado de "fundador da ciência moderna". Sua principal obra filosófica é o Novum Organum. Francis Bacon foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).

Simulacro e poder para entender o que vem acontecendo



Simulacro e poder - Uma análise da mídia, de Marilena Chaui


No reimpresso Simulacro e Poder, Marilena Chaui fala sobre a abolição da diferença entre os espaços público e privado, além de apontar como os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada.

Para a professora, enquanto o pensamento e o discurso de direita reiteram o senso comum que permeia a sociedade, no caso da esquerda é preciso ultrapassar obstáculos - o que representa desmontar esse senso comum e a aparência de realidade e verdade que as condições sociais e as práticas existentes parecem possuir.

Publicado em 2004, Simulacro e Poder encontrava-se esgotado, e é um dos grandes sucessos da Editora Fundação Perseu Abramo.


Os meios de comunicação de massa tornaram irrelevantes as categorias da verdade e da falsidade e as substituíram pelas noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade - para que algo seja aceito como real basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável. Os fatos cederam lugar a declarações de "personalidades autorizadas", que não transmitem informações, mas preferências, as quais se convertem imediatamente em propaganda. Qual a base de apoio da credibilidade e da confiabilidade? Trata-se do apelo à intimidade, à personalidade, à vida privada como suporte e garantia da ordem pública. Em outras palavras, os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada, abolindo-se a diferença entre espaço público e espaço privado. A partir desses pressupostos, Marilena Chaui discute em Simulacro e poder: uma análise da mídia a questão do poder e dos meios comunicação na sociedade contemporânea, apresentando idéias e discussões instigantes sobre pontos centrais para entender o mundo de hoje. O livro traz ainda dois ensaios que abordam questões relativas à democracia, aos direitos e à violência no Brasil: "Direitos humanos e medo" e "Democracia e autoritarismo: o mito da não-violência"