“Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira.” No tempo das notícias falsas fica ainda mais pungente o “Artigo V” do poema
Os Estatutos do Homem, escrito em 1964 pelo poeta amazonense Thiago de Mello, que
morreu
na sexta-feira, aos 95 anos. Uma resposta ao Ato Institucional número 1
da ditadura militar, o poema ressalta o amor pela liberdade e o lirismo
de seu autor, nascido em 1926 na cidade ribeirinha de Barreirinha.
Diplomata, era adido cultural no Chile quando o golpe brasileiro
interrompeu-lhe a carreia. Passou anos no exílio, sem jamais abandonar o
amor pelo Brasil e pela Amazônia. (Folha)
Para ler com calma. Em novembro de 1965, o ditador
Castello Branco chegava para uma cerimônia no Rio, quando foi recebido
por uma vaia. A polícia correu atrás do grupo, conta Bernardo Mello
Franco, e prendeu oito deles,
todos da nata da intelectualidade. Um escapou, mas entregou-se à
polícia em solidariedade aos amigos. Assim era Thiago de Mello. (Globo)