CATATAU de Paulo Leminski
CATATAU
de Paulo Leminski
No de Paginas:256
A Iluminuras reeditou Catatau, o livro de estreia de Paulo Leminski, publicado em 1975 e há alguns anos fora de catálogo.
Maurício Arruda Mendonça escreveu na apresentação desta muito citada e pouco lida que "estaria alí, "O Catatau (1975) de Paulo Leminski é umas das obras-primas da literatura brasileira de invenção do século 20. Escrito durante quase uma década, esse “romance-ideia”, como o denominou o autor, é um monólogo onírico de René Descartes em visita a Pernambuco no período holandês. Diante do absurdo da natureza dos trópicos e dos costumes dos indígenas, o filósofo vê sua razão naufragar: “Duvido se existo, quem sou eu se esse tamanduá existe?”, pergunta. Num texto lúdico, parodiando as narrativas dos viajantes e empregando recursos do Concretismo e do Tropicalismo, Leminski cria uma fábula inovadora e radical, firmando-se como um dos grandes explicadores do Brasil.
O leitor tem em mãos um clássico da literatura brasileira recente. O Catatau (1975) de Paulo Leminski é um texto experimental que se filia à grande tradição das novelas satíricas e filosóficas, tais como Gargantua de Rabelais, Gulliver de Swift, Jacques, o fatalista de Diderot, Robinson Crusoe de Defoe. Tanto é que o núcleo da fábula do Catatau trata de uma insólita vinda do filósofo René Descartes a Recife, no tempo do Brasil holandês. Submetido ao trópico e à exótica natureza tupiniquim, após fumar certa erva que lhe sequestra a clareza de pensamento, René Descartes, ou simplesmente Cartésio, delira enquanto espera a vinda do oficial do exército da Companhia das Índias Ocidentais, o polonês Krzysztof Arciszewski, o qual ficou de lhe explicar esse inabordável Brasil.
O Catatau é, pois, um texto de vanguarda que trata de assuntos afeitos aos séculos 16 e 17. Nele o autor emprega recursos como neologismos, aforismos, filosofemas e trocadilhos nonsense, parodiando clássicos portugueses, constituindo-se em verdadeiro tesouro de invenção prosódica da língua, que une o falar culto ao popular. Nesse sentido o Catatau pode ser encarado como um romance Tropicalista, Concretista, Neobarroco.
Construído como um caudaloso solilóquio, o personagem Cartésio exibe aquela “erudição ostentosa” de que fala Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Porém, Cartésio tem seus pensamentos desestruturados pelo Gênio Maligno que interdita a razão, personificado no monstro Occam, cuja presença no Catatau é sentida pelo maior ou menor grau de ilogicidade do discurso do personagem-filósofo.
Fruto das tensões dialéticas entre verborragia e silêncio, razão e loucura, beatitude e danação, repouso e movimento, ser e devir, o Catatau é um permanente convite à interpretação, e um tributo às mil alegrias da escritura."
Trechos do livro CATATAU, de Leminski, publicado em 1975.
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O AUTOR
Paulo Leminski (1944-1989) foi poeta, narrador, crítico, tradutor, letrista de música popular e jornalista cultural.
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Nasceu em Curitiba, no dia 24 de agosto de 1944. Em 1958, com 14 anos, passou 12 meses no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Participou do 1º Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte.
Em 1965, tornou-se professor de História e Redação. Posteriormente, atuou na publicidade. Foi letrista de canção popular. “Verdura”, de sua autoria, foi gravada por Caetano Veloso.
Entre os seus livros, destaque para Polonaises (1980) e Distraídos Venceremos (1987). Sua bibliografia compõe dezenove livros, a Iluminuras publicou: Metaformose (1994), Agora é que são elas, Ex-estranho (1996) e Winterverno, com João Suplicy (2001). Morreu no dia 7 de junho de 1989, em Curitiba.
Paulo Leminski - Ervilha da Fantasia (1985)
Documentário para TV realizado em 1985 por Werner Schumann com edição de Eduardo Pioli Alberti e Produção Executiva de Altenir Silva, Willy Schumann, Werner Schumann.
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